A tela “Amor sagrado e amor profano”, do pintor Tiziano, é tema de palestra em Belo Horizonte

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"Amor sagrado e amor profano"- obra de Tiziano, pintada em 1514, já teve nomes diversos. (Foto Wikipedia)

A tela conhecida como “O Amor Sagrado e o Amor Profano”, pintada em 1514 pelo artista veneziano Tiziano Vecellio, será o tema da palestra de Marco Elizio, especialista em História da Arte, nesta quarta-feira (25/04) à noite, na Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte-MG. O evento integra o programa “Quartas Italianas” com ingressos gratuitos.

A obra de Tiziano mostra uma cena com duas mulheres, uma delas despida, de aparência muito semelhante, sentadas em uma fonte, e um cupido que brinca com a água. A famosa tela, que pertence à Galeria Borghese, em Roma, desde 1608, revela questões curiosas sobre a feminilidade nas artes do período renascentista.

“Nesta impressionante obra-prima – diz Marco Elizio – veremos como, em um simples retrato alegórico de uma noiva nobre, a poética da ‘Felicidade Eterna’ e da ‘Felicidade Breve’ de Cesare Ripa [escritor neoplatônico italiano do século XVI], pode nos levar a decifrar uma pintura antiga como um grande poema sobre o amor”.

Segundo divulgou a Casa Fiat de Cultura, o palestrante também abordará o diferencial na obra de Tiziano com relação aos artistas de seu tempo. Enquanto a arte florentina de Michelangelo, por exemplo, glorificava obsessivamente a masculinidade – comprovada pelas esculturas de um vigoroso “David” ou um intimidador “Moisés” –, a arte veneziana de Tiziano glorificava a feminilidade através de suas sensuais Vênus loiras semidespidas ou reclinadas eroticamente. No entanto, suas figuras femininas, mesmo livres das convenções antiquadas, não perderam a dignidade erudita das tradições clássicas.

O mestre em História, Marco Elizio (Foto Cedida)

Desde 2015, o programa “Quartas Italianas” apresenta palestras gratuitas de especialistas em arte, história, música, cinema e literatura italiana, e mais de duas mil pessoas já participaram da iniciativa.

O palestrante, Marco Elizio de Paiva, é mestre em História da Arte pela Universidade do Texas em Austin e atualmente é coordenador do Curso de Especialização em História da Arte da PUC Minas e estudioso da arte colonial brasileira, arte pré-colombiana das Américas, arte russa e arte islâmica.

O título conhecido atualmente da obra de Tiziano tem caráter moralista e não foi dado pelo pintor. Teria surgido há pelo menos dois séculos depois. No catálogo da Galeria Borghese aparece com diferentes nomes: “Beleza sem ornamento e beleza ornamentada” era o título em 1613; “Três amores”, em 1650; “Mulher divina e mulher profana”, em 1700.

O mecenas de arte Shipione Borghese comprou a tela em 1608 e em 1899 rejeitou a oferta de quatro milhões de liras feita pelo magnata financeiro Nathaniel Anselm von Rothschild. A obra foi restaurada em 1995 e o processo revelou que o manto branco da figura semi-desnuda era, originalmente, vermelho.

  • Com informações de Personal Press