Alciati assume dianteira e pede vigilância contra limitações ao ‘ius sanguinis’. Quer a “maior participação possível” na petição online

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Silvia Alciati, fotografada no debate dos candidatos ao Parlamento Italiano, em 15 de fevereiro último. (Foto Desiderio Peron / Arquivo Revista Insieme)

A ítalo-brasileira Silvia Alciati é a primeira dos três delegados do Brasil no CGIE – ‘Consiglio Generale degli Italiani all’Estero’ a entrar na luta contra a limitação geracional na transmissão da cidadania italiana por direito de sangue, improvisadamente pretendida pelo chamado “Decreto Salvini”. O esboço inicial do decreto já foi modificado, eliminando a limitação, mas ainda depende de apreciação pelo Conselho de Ministros do governo italiano.

Em e-mail que divulgou aos conselheiros dos Comites – ‘Comitati degli Italiani all’Estero’ nesta madrugada, Silvia alerta que  “precisamos vigiar, seguir com atenção e atuar no momento oportuno para evitar que sejam instituídas limitações geracionais para o reconhecimento da cidadania italiana para os ítalo descendentes espalhados por todos os territórios do mundo, e para que sejam eliminadas as discriminações inconstitucionais relacionadas aos descendentes da mulher italiana casada com um estrangeiros antes de 1948.” A mensagem foi redigida em italiano e português.

Silvia lembra que o Decreto-Lei será ainda discutido pelo Conselho de Ministros e, “por esse motivo, convido todos para apoiar a coleta de assinaturas” no abaixo assinado em curso na internet desde o dia 8 (iniciativa que traz a assinatura do secretário do Partido Democratico no Brasil e presidente do Comites do Rio de Janeiro, Andrea Lanzi), e que nesta manhã contava com pouco mais de sete mil assinaturas.

Segundo Silvia Alciati, é necessário atingir “o maior número de participantes possível, com o objetivo de ouvirem nossa voz e a nossa força, não apenas no Brasil, território onde a manifestação começou, mas também de todos os países em que haja uma presença consistente de descendentes de italianos, desde os Estados Unidos até a Austrália!”

No e-mail, a delegada do Brasil no CGIE reproduz orientações do secretário geral do órgão, Michele Schiavone, que informa ser o tema cidadania uma das pautas dos debates das assembléias continentais (segundo diz, no Panamá, Metz e Johannesburg) programadas para as próximas semanas. Na verdade, a assembleia setorial da América Latina será em Santo Domingo, na República Dominicana de 4 a 6 de outubro próximo, conforme já noticiamos.

Segundo junta nos anexos de seu e-mail, Silvia Alciati havia escrito mensagem a seus colegas conselheiros no dia 10 de setembro, para dizer que “a limitação do reconhecimento da cidadania na segunda geração, colocada em ato sem alguma discussão, é absolutamente inconcebível”.  Ela observava que “nossos países vêm de histórias muito complexas, com impedimentos legislativos e ditatoriais no passado de manter uma ligação oficial com a Itália, além das distâncias enormes para alcançar os consulados e registrar matrimônios e filhos”.

“Somente nos últimos anos – prossegue – desencadeou-se um fenômeno de reaproximação de nossas comunidades com suas origens e a possibilidade concreta de reapropriar-se de suas raizes e de suas origens”. Ela observa ainda que”frequentemente acontece de visitar colônias de ítalo-descendentes que mantém as tradições e os dialetos melhor do que ocorre em algumas regiões italianas. No Brasil, por exemplo, reconheceu-se o Talian, antigo dialeto vêneto, como patrimônio imaterial que deve ser tutelado”.

Assim – observa ainda Alciati que, juntamente com o peruano Gianfranco Bruno Sangalli, é autora de uma proposta de alteração na lei da cidadania italiana – “não acreditamos que se possa aceitar a realização de um corte limpo e indiscriminado dessa forma com os italianos no exterior, sem avaliar a história e o passado do País que deu ao mundo, sem dúvida alguma, o maior número de imigrantes, sem nem mesmo discutir e avaliar as consequências dessa escolha”.

No final, Alciati convida a “todos os colegas a nos ajudar a defender o enorme patrimônio de italianidade no exterior que deveria ser exercitado e protegido, em vez de eliminado”. Ela junta entre os anexos os dois primeiros textos divulgados inicialmente pela Agência AdnKronos e também por Insieme (ontem publicamos o conteúdo com os cortes anunciados na terça-feira).