Comvesc vive momento ambíguo com duas diretorias. Impasse pode ser resolvido neste sábado

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Foto histórica: uma das primeiras reuniões de articulação para a fundação do Comvesc, em Florianópolis, sede do Cib, em 30/06/2001 (Foto Desiderio Peron / Arquivo Revista Insieme)

De fato ou de direito – dependendo da interpretação que se queira dar – o Comvesc (Comitê das Associações Vênetas de Santa Catarina), desde o dia 10 de junho último vem funcionando com duas diretorias: a presidida pelo engenheiro Roberto Eder Brolese, de Criciúma, e a que atende ao comando de Fabíola Cechinel, de Tubarão. O desfecho da contenda pode acontecer neste sábado, durante assembleia convocada por Cechinel em Florianópolis, na sede do Círculo Ítalo Brasileiro – Cibsc – a partir das 15 horas.

Brolese foi eleito dia 10/06 em assembleia específica convocada por sete das 12 associações fundadoras do Comvesc, realizada na sede histórica da entidade, no distrito de Caravaggio, Nova Veneza, oportunidade em que também tomou posse. A eleição deu-se, segundo ata registrada em cartório, após a destituição da diretoria presidida por Cechinel que, estatutáriamente, fora eleita para mandato encerrado em abril último, mas que continua na presidência.

O confronto repete episódio semelhante ocorrido há cerca de dez anos, quando houve a destituição de Itamar Benedet, durante assembleia das associações catarinenses realizada em Tubarão. Segundo Brolese, a Região do Vêneto, sob cujas normas funciona a entidade, já foi formalmente comunicada da posse da nova diretoria, que em suas últimas reuniões traçou programa geral e objetivos de trabalho para os próximos cinco anos. Todos o compromissos assumidos – inclusive aqueles relativos à próxima Consulta Vêneta, no final deste mês, na Itália -, segundo Brolese, serão respeitados.

O Comvesc nasceu no início do século, após uma série de reuniões e assembleias, ora realizadas em Florianópolis, ora em Criciúma e Nova Veneza. Junto com o Comvers, no Rio Grande do Sul; a Favep, no Paraná; e a Federação das Associações Vênetas de São Paulo, ele representa a força da imigração ítalo vêneta no Brasil perante a Região do Vêneto.

Em e-mail com a data de hoje (11/07) e endereçado a todas as Associações Vênetas de SC, Cechinel reforça o convite para a assembleia de sábado e ressalta a “importância de terem vocês neste momento de renovação do Estatuto do Cimvesc, onde após o registro deste documento teremos todos vocês fazendo parte efetivamente votando e sendo votado”. Segundo ela, é “necessário lembrar que hoje, como está, somente as 12 associações fundadoras têm este direito”.

Cechinel assegura que está “seguindo a determinação da última assembleia” e que, “após a aprovação e registro do Estatuto, seguindo os critérios e prazos legais, será feita a convocação para a Eleição da nova Diretoria”.

Na ata que documenta a eleição de Brolese, está escrito que “o fato motivador da convocação desta assembleia” foi “término do mandato da Diretoria do Comvesc em 23/04/2017 e a não convocação de eleição”. Assim, a assembleia de Caravaggio destituiu a diretoria por unanimidade com base no estatuto vigente, e deliberou, entre outras coisas, pela eleição e posse de nova diretoria, além de “medidas cabíveis” no caso da não prestação de contas “com a apreciação do Conselho Fiscal” por parte da diretoria destituída.

Além de Brolese na presidência, a nova diretoria está composta ainda por José Crepaldi (vice-presidente), Roberto Bortolotto e Ademar Bertan (primeiro e segundo secretários), Pedro Hector Zanette e Idalino José Colombo (primeiro e segundo tesoureiros); e Luiz Jair Baldessar, Nivan Bianchini Hipólito e Silvio Castagnetti (do Conselho Fiscal), tendo como suplentes Pedro Genovencio da Rosa, Clelio Billieri e José Paulo Goulart. O mandato da diretoria, segundo fixa o documento, vai até 09/06/2022.

No confronto criado, o trabalho maior será, seguramente, dos advogados de ambos os lados que, segundo se apurou, estarão presentes na assembleia deste sábado, em Florianópolis. Enquanto, de sua parte, Cechinel assegura que sua estratégia é a de dar direito de voto a um universo bem maior de associações, novas e antigas, que atualmente não têm direito de voto, Brolese, por sua vez, também entendendo que é preciso ampliar a base de representação, conta em sua diretoria com o atual vice de Cechinel, mas se baseia no princípio “mais ou menos universal” segundo o qual o mandato em cargo eletivo é para tempo certo e definido nos estatutos de qualquer entidade.