Contra o centralismo, Luca Zaia defende voto pelo não no Referendum e critica filas da cidadania e taxa dos 300 euros: uma vergonha

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A Itália precisa mudar, mas a visão de Renzi é de um Estado centralista, disse o governador do Vêneto, Luca Zaia, dizendo que se ele fosse um vêneto ou um italiano  no exterior pensaria um pouquinho antes de dizer ‘Sim’ ao Referendum  sobre as reformas constitucionais que ocorrerá no próximo dia 4, mas do qual já participam os eleitores residentes no exterior. A posição de Zaia, cujo partido é totalmente pelo ‘Não’, foi colocada claramente durante uma entrevista que ele concedeu ao editor da Revista Insieme em sua visita ao Rio Grande do Sul, iniciada dia 15 e que terminou hoje, com um encontro com o governador José Ivo Sartori a quem, recentemente, recebeu em Veneza.

Enquanto os regularmente inscritos no Consulado Geral da Itália em Porto Alegre (assim como de resto, nos demais que operam no Brasil) recebiam os envelopes eleitorais para votar ‘Sim’ ou ‘Não’, Zaia inaugurava, no final da tarde do dia 15, o último dos cinco leões alados de São Marco integrantes do Projeto “Leoni nelle Pizzze”, na praça central de Santa Tereza, vizinha de Bento Gonçalves e participava, à noite, de um jantar em pleno Vale dos Vinhedos para onde acorreram mais de 400 convidados, maior parte formada por diretores das inúmeras associações vênetas do Rio Grande do Sul.

Durante a solenidade em Santa Tereza,  da qual participou, entre outras autoridades, também o cônsul Nicola Occhipinti, Zaia não tocou na questão referendária. O evento foi organizado pelo Comvers – Comitê das Associações Vênetas do Rio Grande do Sul, prefeitura municipal local sob a coordenação do consultor vêneto para o RS, Cesar Prezzi. Antes, Zaia esteve em Buenos Aires, Argentina.

Sem a elas se referir, o governador do Vêneto rebateu críticas que lhe foram feitas nas redes sociais ao dizer que os que agora correm atrás dos votos dos italianos no exterior não estão atendendo os interesses desses cidadãos, pois cobram 300 euros para cada processo de reconhecimento da cidadania italiana a que têm direito constitucional e, mesmo assim, submetem os interessados a enormes filas que duram dez ou mais anos.

Ele disse também que considera um  absurdo não reconhecer a descendência italiana por direito de sangue pelo lado materno. Disse que seu partido – a Lega Nord – que “está sempre pronta” a assumir o poder, lá chegando vai corrigir esses problemas que afligem milhares de ítalo-descendentes. “Entregar o passaporte a eles é um reconhecimento pelo que eles e seus antepassados fizeram”, disse Zaia, cujo avô nasceu no Brasil (em São Paulo), onde ficou enterrado seu bisavô. “Quem vota ‘Sim’ – disse Zaia – é centralista, é pela concentração de poderes”, enquanto para quem vota ‘Não’, a autonomia é fundamental. Confira o vídeo.