“Gli Ultimi”, o novo livro que Renzo Grosselli organiza enquanto cumpre roteiro de palestras nas principais comunidades trentinas do Brasil

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Fora do trentino – onde vivem cerca de 500 mil pessoas – há um outro trentino. “Eu digo que, com certeza, aqui no Brasil tem de 500 mil a um milhão de brasileiros que possuem muito mais que uma gota de sangue trentino. Se os ‘nonnos’ são quatro, eu digo que mais de 500 pessoas têm pelo menos um ‘nonno’ trentino, especialmente no Sul do Brasil”.

Quem assim calcula é o escritor, historiador e sociólogo Renzo Grosselli, autor de ‘Vincere o Morire’, entre outros livros sobre a saga trentina no Brasil, que se encontra em solo brasileiro para uma série de palestras sob o patrocínio da “Associazione Trentini nel Mondo”. Ele, que começou por Nova Trento-SC no último sábado (07/040) esteve terça-feira (10/04) em Bento Gonçalves-RS e na próxima terça-feira (17/04) estará em Rio dos Cedros-SC, para seguir, no dia 21, em Santa Olímpia (Piracicaba-SC); dias 26 em Vitória-ES.

No dia 28/04, estará em Santa Teresa-ES, que foi definida por lei como a primeira cidade fundada pela imigração italiana no Brasil, título que está sendo contestado pela comunidade italiana de Santa Catarina, que registra em São João Batista, em 1836, o primeiro núcleo de imigrantes provenientes das terras itálicas. Sobre isso, o historiador já emitiu sua opinião.

Além das palestras, em que expõe informações históricas sobre a imigração trentina no Brasil, sua cultura e aspectos políticos da realidade trentina e italiana da atualidade, Grosselli está aproveitando para colher dados para seu novo livro, que já tem título: “Gli Ultimi”(Os Últimos) – uma série de entrevistas com casais idosos descendentes diretos de imigrantes nas comunidades preponderantemente trentinas do Brasil.

Segundo Grosselli, o Brasil é o território em que a cultura “trentina” ainda se mantem com maior evidência, principalmente em lugares mais interioranos, onde a proibição do falar “línguas estrangeiras”, por duas vezes vigente no país, constitui um verdadeiro paradoxo. Baseados em seus livros e nos documentos neles reproduzidos, centenas de pessoas conseguiram informações para poder requerer o reconhecimento da cidadania por direito de sangue.

Segundo ele conta, na longa entrevista concedida com exclusividade para o editor da Revista Insieme, durante algum período, consulados italianos como o de Curitiba admitiam como prova documentar o fato de constar no rol de nomes que o seu primeiro livro (e o de maior sucesso) “Vincere o Morire” publicou.

Nesse primeiro vídeo que publicamos, Grosselli refere-se longamente à figura de Amabile Visintainer, a Santa Madre Paulina, hoje expressão maior da imigração trentina no Brasil. Naqueles tempos, no chamado “Tirol Italiano”, a propriedade de um camponês media em torno de 5.000 metros quadrados de terra; 20% das crianças morriam antes de atingir um ano de idade; 50% morria antes dos 20 anos e existiam doenças letais e asquerosas, como a pelagra.

Na coleta de dados para “Os Últimos”, Grosselli fala de uma senhora que, após fazer, já pela manhã, uma polenta para fotografia, foi perguntada sobre quantos filhos ela teve: “16, mais os mortos e abortos”, respondeu ela. Por que tantos filhos? Porque os padres mandavam fazer filhos, se não, não confessavam. Mas, também, porque seu coração assim lhe ditava: “a mulher tem que fazer filhos”. Assim, “é claro – diz o pesquisador – que se tinha que nascer uma Madre Paulina neste país, não podia ela ser alemã, holandesa, portuguesa… na religião católica, tinha que ser uma trentina. E foi assim!”

Renzo Maria Grosselli, que atualmente é casado com uma neo-trentina, é autor de diversos livros. Na Amazon estão à venda: Gli uomini del legno sull’isola delle rose. La vicenda storica del villaggio italiano di Campochiaro a Rodi 1935-1947; La casa par far ciar. Storia dell’azienda elettrica di Primiero; L’emigrazione dal Trentino. Dal Medioevo alla prima guerra mondiale; I ritratti di Renzo Maria Grosselli; Un paese trentino a cavallo del millennio; Il tirolese; Un urlo da San Ramon. La colonizzazione trentina in Cile, 1949-1974; “Oltre ogni confine. L’emigrazione da un distretto delle Alpi tra Otto e Novecento. Il Vanoi nelle testimonianze orali.

O autor é nascido em Trento em 12 de janeiro de 1952, formado em sociologia pela Universidade de Trento, Itália em 1976. Em 1998 obteve o título de doutor em pesquisa histórica pela PUC – Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre-RS. De 1983 a 1991 morou no Brasil, nos Estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná e São Paulo, pesquisando junto a arquivos públicos de Estado, das Cúrias Episcopais, municipais e também privados. Suas pesquisas também foram desenvolvidas nos Estados do Rio de Janeiro (antigo arquivo do Itamarati) e Minas Gerais.

Na biblioteca da Associazione Trentini nel Mondo, encontram-se outras obras de Grosselli: La per me era come un paradiso. Memorie di Luigi, emigrato trentino; Storie della emigrazione trentina; Emigranti: quaderno di storia dell’emigrazione trentina; L’emigrazione dal Trentino. Dal medioevo alla prima guerra mondiale; Gli uomini del legno sull’isola delle rose. La vicenda storica del villaggio italiano di Campochiaro a Rodi 1935‐1947; Colonie imperiali nella terra del caffè. Contadini trentini (veneti e lombardi) nelle foreste brasiliane; Trentamila Tirolesi in Brasile; Un urlo da San Ramon: la colonizzazione trentina in Cile 1949‐1947; Un Paese; Emigranti. Quaderno di storia dell’emigrazione trentina per la scuola media inferiore; Noi tirolesi, sudditi felici di Dom Pedro II; Tatahuasi, la casa del padre. La missione francescana trentina in Bolivia nei diari di padre Bernardo Osti 1949/1977; Da schiavi bianchi a coloni. Un progetto per le fazendas. Contadini trentini (veneti e lombardi) nelle foreste brasiliane; Dove cresce l’Araucaria. Dal Primiero a Novo Tyrol; Vincere o morire.