Merlo reage ao anúncio da candidatura de Fanganiello: seu partido apoia o governo da taxa da cidadania e do desmantelamento consular

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Deputado Ricardo Merlo reage à candidatura anunciada de Fanganiello Maierovitch (Foto Desiderio Peron / Arquivo Insieme)

“O partido que ele teoricamente representa apoiou, nos últimos cinco anos, o governo que destruiu a rede consular e estabeleceu uma taxa de cidadania que até aqui nada resolveu; em vez de prometer [o fim das filas da cidadania], ele deveria explicar tudo isso. Mas talvez ele não saiba disso, enquanto os ítalo-brasileiros, sim!”

Assim o deputado ítalo-argentino Ricardo Merlo reagiu à notícia do lançamento da candidatura “desse tal Fanganiello” pelo partido “Articolo 1 – Movimento Democratico e Progressista”, nascido de uma dissidência do PD – “Partito Democratico”, comandado pelo ex-premier Matteo Renzi. O desembargador paulista aposentado Walter Fanganiello Maierovitch tem entre suas propostas de trabalho, em caso de eleição ao Parlamento italiano, a promessa de lutar pelo fim das chamadas ‘filas da cidadania’.

“É ridículo, é de fazer rir”, ironizou o fundador e comandante do Maie – ‘Movimento Associativo Italiani all’Estero’. “E depois – aduziu Merlo -, alguém poderia avisar a este senhor que as eleições sequer foram convocadas, que o Presidente [da Itália] ainda não dissolveu o Parlamento?”.

Segundo observa Merlo que, após consagrar-se nas duas últimas eleições como o deputado a obter o maior número de votos na Circunscrição do Exterior, deverá lançar-se, ao que se sabe, candidato ao Senado nas próximas que deverão ocorrer ano que vem -, o anúncio da candidatura de Fanganiello é prematura, pois “os pretendentes tornam-se candidatos no ato da inscrição de sua candidatura, em Roma”.

Dessa forma – acrescenta o parlamentar ítalo argentino, “anunciar uma candidatura assim é fantasioso, constitui um grande erro político, demonstra uma grande ignorância política e falta de ‘timming’.”

Observa Merlo que o partido abraçado por Maierovitch é a favor da lei do ‘ius soli’, cujo debate no Parlamento italiano foi postergado devido à forte oposição e falta de entendimento entre as diversas correntes. “Porém, a coisa mais ridícula é que [eles] fizeram parte do governo durante os últimos cinco anos e agora esse senhor quer resolver o problema das filas. Ridículo, é melhor falar de outras coisas”.

Sobre os anunciados recursos aos consulados, decorrentes da obrigação legal de devolver 30% da “taxa da cidadania” à origem, com o objetivo de fortalecer a estrutura consular e, assim, agilizar o processo de reconhecimento da cidadania italiana ‘iure sanguinis’, Merlo afirmou que “até agora, nada [aconteceu]. Mas eles procurarão fazer com que a distribuição desses recursos seja iniciada antes das eleições”. Para o parlamentar, “precisa ver quanto será destinado à América do Sul e, sobretudo, para fazer o quê. Em síntese: se a esmola vem ou não e como será distribuída. Faltam quatro meses para a dissolução das câmaras e estamos num estado de confusão total, uma vergonha”.