O coma do Partido Democrático

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Pascoale Matafora (Foto Cedida)

No meio deste silêncio de doer ouvidos, achei importante escrever alguma coisa para aqueles italianos que vivem no Brasil e que acompanham a política italiana.

No último fim de semana, o Partido Democrático (meu partido) acumulou mais derrotas em municípios italianos onde tradicionalmente os eleitores votavam PD, ou seja, de estado crítico, podemos dizer que o partido entrou realmente em coma.

Os eleitores italianos, mais uma vez, castigaram com o voto “aqueles que não querem ouvir”, a direção de um partido que ainda está sem dar as respostas que os eleitores querem.

Numa direção que está mais perdida que cego no meio de tiroteio, alguns, como o ex-ministro Calenda, estão sugerindo a criação de outro partido, ou seja, uma mudança de nome; outros, tentando dar a culpa aos eleitores que, por fim, não entenderam nada e foram seduzidos por falsas promessas.

Já faz alguns meses que estou tentando alertar o secretário Martina sobre a necessidade de dar sinais de “vida política” .

Precisamos, de imediato, resgatar nossa relação com o povo e com os mais fracos, aqueles que, por décadas, depositaram os votos nas urnas para uma esquerda séria e progressista – aquela que fez uma oposição responsável aos governos da era berlusconiana. Esse povo que se sentiu traído quando foram tirados direitos dos trabalhadores e quando foi definido prioritário tratar de socorrer bancos; quando houve maior dedicação aos direitos civis, deixando-se de lado os direitos sociais; esse povo que percebeu a fraqueza do governo nas questões europeias.

Não posso ficar calado e assistir passivamente ao paciente que, do coma, pode até desaparecer.

Renzi, grande responsável por tudo, também não pode ser demonizado; afinal, mesmo quando ele abdicou de seu trono, os pretendentes não tiveram carisma e competência para assumir o leme de um barco à deriva.

O partido só vai sair do coma se, finalmente, entender que é necessário um pedido de desculpa ao seu povo – um ato de humildade para demonstrar que entendeu o recado – e voltar às praças, nas periferias, retomar um diálogo sério com quem trabalha e tem salários congelados há mais de uma década; é necessário devolver a esperança de poder ter uma sociedade justa para todos e não apenas garantir aqueles direitos civis para os intelectuais de uma burguesia chique.

O oxigênio para sair do coma passa pela agregação das forças políticas que podem responder aos anseios de um povo que está farto de ser enrolado. Também não pode ser uma oposição que grita e condena tudo que o atual governo está fazendo.

Este governo que entra agora está herdando um País muito melhor daquele que o Partido Democrático herdou de Berlusconi, e esse legado não pode ser dado de graça. Temos que reivindicar nossa fatia de mérito, cobrando responsabilidade de quem chegou e oferecer colaboração, sim!

A mesma coisa vale em nosso contexto local brasileiro e de America do Sul. Estamos deixando para o vice-ministro Merlo os recursos para, finalmente, poder dar as respostas que nossa comunidade aguarda e estaremos juntos trabalhando para nossa gente.

Nosso partido tem uma história feita de lutas, e voltar a lutar para o povo e com o povo será a cura do coma.