Porta desce um pouco, mas detém a sétima posição em produtividade no Parlamento italiano. Renata Bueno é a menos “rebelde”

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Um resumo da performance dos parlamentares da América do Sul no Parlamento italiano, segundo "openparlamento" (Reprodução e Montagem insieme)

O deputado Fabio Porta (PD), que ocupava o terceiro lugar em produtividade na Câmara dos Deputados italiana, continua entre os primeiros, mas desceu para a sétima posição, com um índice de ausência nas votações de 22,72%. A informação está contida na nova avaliação de “openparlamento”, um instrumento do site “Openpolis”, administrado por uma associação italiana que, desde 2008, fornece elementos para monitoramento da atividade parlamentar de deputados e senadores italianos. Na Câmara funcionam 630 deputados.

Dentre os parlamentares da América do Sul no Parlamento italiano, o segundo lugar em produtividade coube a Renata Bueno (Usei) que, na classificação geral, está em 432º lugar e ausência de 36,91% nas votações. Ela é seguida pelo deputado Ricardo Merlo (Maie), que ficou na 505ª posição geral em produtividade mas com apenas 12% de ausência nas votações. Em último lugar está Mario Borghese (Maie), que na classificação geral da produtividade fica na 517ª posição, e uma ausência de 52,36% nas votações.

Já no Senado, com 324 integrantes, o senador sul americano Claudio Zin (Maie), ocupa 16ª posição em produtividade, com índice de 67,49% de presença, 13,09% de ausências e 19,41% de missões, enquanto o senador Fausto Longo (PSI) fica na 276ª posição em produtividade, 65,91% de presenças, 9,71% de ausências e 25,37% de missões.

No site pode-se ter informações bastante completas sobre o que faz cada parlamentar. Além das presenças e ausências, pode-se ter uma visão bem ampla sobre suas atividades, propostas, pronunciamentos, e votação em cada matéria submetida à apreciação do Parlamento.

A produtividade, segundo adverte o site, coloca em exame o número, a tipologia, o consenso e a tramitação dos atos apresentados pelos parlamentares, fazendo um confronto entre eles. Não leva em conta, entretanto, “o trabalho, mesmo se relevante, que alguns parlamentares desenvolvem para os encargos necessários ao funcionamento da máquina política e administrativa do Parlamento”, como comissões, grupos, comitês, juntas, colégios e outros da Câmara e do Senado.

A ausência nas votações se refere-se tanto à ausência física do parlamentar quanto à sua “não participação” no processo de votação, mesmo que presente no ambiente. Se, entretanto, numa votação, o parlamentar não está fisicamente presente porque encontra-se em missão, isso não é computado como ausência.

O deputado Mario Borghese, por exemplo, que detém o maior índice de ausências dentre os parlamentares sul americanos (52,36%), tem também o menor índice de missões (0,11%).

Já Ricardo Merlo, com uma presença de apenas 12,88%, apresenta o mais alto índice de missões – 74,70% – que funcionariam como um tipo de justificativa para as ausências. Isso ocorre quando o parlamentar está em visita às suas bases eleitorais.

Fabio Porta, o mais assíduo nas votações (74,55%), tem apenas 2,84% de índice de missões, seguido de Renata Bueno, cujo índice de missões sobe para 15,78%.

Outro aspecto importante assinalado pela avaliação parlamentar de “Openparlamento” é o grau de independência dos parlamentares, ao assinalar em “voti ribelli” (votos rebeldes), quantas vezes eles votam contra a orientação do partido ou do grupo parlamentar a que pertencem.

Entre os deputados, Renata Bueno é a mais comportada de todos: nunca votou contra as indicações de seu grupo e, portanto, apresenta zero “votos rebeldes”. O campeão de “votos rebeldes” entre os sul americanos é o deputado Mario Borghese, com 1.222. No site é possível ver, matéria por matéria, como cada um comportou-se na hora do voto.

A atividade dos parlamentares eleitos no exterior foi objeto de extensa matéria publicada pelo jornal italiano “La Repubblica”, no último dia 14, questionando, além das ausências, os “milhões de custos” e “o fracasso dos eleitos no exterior”. A matéria conta, por exemplo, que a bancada dos 18 conseguiu produzir apenas uma lei até aqui, através da deputada Laura Gravini, que fundou na Alemanha a associação “Mafia? Nein Danke!”. Fausto Longo, segundo a matéria baseada em “Openpolis”, conseguiu pronunciar-se apenas três vezes no Senado.

Os deputados eleitos no exterior – conta o jornal – têm um regime especial para as despesas de transporte: reembolso ilimitado de passagens aéreas necessárias para ir até o Parlamento, enquanto existe um limite de 30 mil euros anuais na Câmara e 35 mil no Senado para viagens destinadas às suas atividades no colégio eleitoral. Com os 12 deputados, em 2016 foram gastos 660 mil euros (mais de 2,5 milhões de reais) em passagens e, com os seis senadores, 327 mil euros (mais de 1,2 milhões de reais), segundo o mesmo jornal.