Venturotti, o italiano mais velho do mundo, tem melhoras no hospital. Aos 112 anos, sete meses e três dias, é homenageado com a canção ‘Non ho l’età'

Delio Venturotti, o italiano mais velho do mundo, recebeu na tarde de hoje (28/05), num quarto do Hospital de Caridade de Florianópolis-SC, uma pequena homenagem feita de improviso por um grupo do do Círculo Italo-Brasileiro de Florianópolis – CIBSC. Venturotti está hospitalizado desde que, na terça-feira, foi atendido  num serviço de emergência com falta de ar.

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O italiano é de Calto, província vêneta de Rovigo, onde nasceu às 2 horas do dia 25 de outubro de 1909, filho de Luigi Venturotti e Joanna Arrivabeni Venturotti. Veio com seus pais ao Brasil em 1913, fixando-se inicialmente em Colatina, no interior do Espírito Santo. Depois de viver algum tempo também em São Paulo, desde 1991 mora no interior da ilha de Florianópolis.

Desde o início do mês, o sociólogo e genealogista Daniel Taddone vem reunindo documentos para a certificação de Venturotti no GRG – Gerontology Research Group, a organização oficial de Gerontologia do Guinness World Records. O diretor da organização, Robert Young, em e-mail de 11/05 garantiu a Taddone que “neste momento, este homem é provavelmente o segundo homem vivo mais velho do mundo, com possibilidade de se tornar o primeiro”.

Entretanto, segundo Taddone, não há dúvidas que Venturotti “é hoje o italiano vivo mais velho em todo o mundo”. E, dentro de cinco meses, ele será – caso se recupere – “o italiano mais longevo de todos os tempos”. Participam da pesquisa também Cilmar Franceschetto, Claudia Altschuller, Isis Laguardia, Jobson Carrafa e Lucas Guimarães.

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(Conversa gravada por familiares de Venturotti em 23/05/2022)

No processo de certificação suspenso com o repentino declínio da saúde de Venturotti, estiveram envolvidos também o cônsul geral da Itália em Curitiba, Salvatore Di Venezia, que, juntamente com o conselheiro eleito do CGIE, Walter Petruzziello, e o editor de Insieme, teria ido na última terça-feita até Florianópolis.

Mesmo residindo no Brasil desde 1913, portanto há 109 anos, Venturotti nunca se naturalizou brasileiro e nunca se inscreveu como italiano em qualquer consulado dos três Estados onde viveu. Estava prevista, portanto, também a inscrição do supercentenário no cadastro consular do Consulado-Geral de Curitiba e, consequentemente no AIRE – o cadastro dos italianos residentes no exterior.

Segundo um de seus filhos, Delio Venturotti Filho, o supercentenário que até um ano atrás trazia memória perfeita, agora “está muito fraco”. Entretanto, o pastor Milton Beuter, da Igreja Batista Pioneira de Florianópolis, à qual Venturotti está vinculado, disse no início da noite que “ele vai sair dessa. Hoje já acordou mais esperto, tomou banho, pediu que dia que era, tomou café… Pressão 12 x 8, apenas a respiração está fraca”.

Um pouco daqueles primeiros tempos da família Venturotti no Brasil é contado por Venturotti Filho, cujo avô, Luigi Venturotti, casou-se três vezes: “O primeiro casamento foi na Itália com Giovanna Arrivabeni, que faleceu aqui no Brasil, quando meu pai tinha aproximadamente 15 anos. Deste casamento nasceram oito filhos. três na Itália, entre eles meu pai. Após ficar viúvo, casou com uma senhora que meu pai chama de D. Chiquinha, com quem teve três filhas, sendo que duas faleceram assim que nasceram e sobreviveu a tia Zilda que hoje está com 94 anos”

Ele conta ainda que “D. Chiquinha não viveu muito tempo após o casamento e meu avô ficar viúvo pela segunda vez e casar-se, pela terceira vez, com Josefina Ribeiro Venturotti. Não tiveram filhos. D. Josefina foi criada por um casal de missionários batistas, estadunidenses, que foram enviados ao Espírito Santo para instalar igrejas batistas no Estado. Foi nesta época que meu pai passou a frequentar a igreja Batista e é membro até hoje”.

Venturotti Filho conta que seu pai “casou-se uma única vez, em 15 de março de 1946, e está casado até hoje com minha mãe, Dulcina Gama Venturotti”. Os Venturotti vivem, em sua maioria, no Espírito Santo, mas existem parentes até no Rio Grande do Sul. Pela parte materna, o supercentenário é partente de Silvana Rizzioli, que foi candidata ao Senado nas eleições parlamentares italianas de 2018. Ela própria confirmou o parentesco com Delio Venturotti.

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Vídeo de autor desconhecido registra a homenagem do CIBSC a Venturotti, na tarde de 28/05/2022, no Hospital da Caridade em Florianópolis.

Uma série de perguntas aguarda a melhora de Venturotti para serem respondidas. Desde o tempo em que ele era “chauffeur” de praça em Colatina, no Espírito Santo, até sua chegada em Florianópolis, há toda uma história a ser contada e que começa bem antes da chegada de Delio ao Brasil: Segundo conta Daniel Taddone, seu avô paterno, Flaminio Venturotti emigrara ao Espírito Santo em 1888, quando seu pai Luigi contava com apenas sete anos de idade. Ficaram em terras capixabas por alguns anos, mas acabaram por retornar à Itália, onde faleceu o patriarca Flaminio, em 1903. Lá permaneceram por alguns anos até uma nova tentativa de emigração. Nesta segunda vez, fincaram raízes e nunca mais retornaram à madrepatria.

Os últimos dois anos, Venturotti passou praticamente enclausurado em casa, cuidando-se dessa “grande poluição que está por aí” (assim o informaram, para não amedrontá-lo com a pandemia da Covid): primeiro na chácara de um dos filhos; depois, com a insistência de voltar aos velhos hábitos, na sua própria casa, sempre ao lado da  “jovem” dona Dulcina, 12 anos mais moça que ele. Então os filhos transferiram-se para lá, revezando-se nos cuidados ao casal de anciãos.

Na tarde de hoje, a vice-presidente do CiBSC, Alessandra Carioni, leu um texto em ilaliano e pela professora Giuliana Andino, enquanto outra professora do Centro, Marik Avezzù, cantou para Venturotti uma das canções que celebrizaram Gigliola Cinquetti: ‘Non ho l’età”… Se a idade ou a vida permitir – assim espera Taddone – a certificação deverá acontecer em seguida.