“OpenParlamento” diz que Porta é o terceiro mais produtivo do Parlamento Italiano

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O deputado Fabio Porta é classificado como o terceiro deputado mais produtivo do Parlamento Italiano (Foto Desiderio Peron / Arquivo Insieme)

Que fazem os deputados e senadores que os italianos no exterior elegeram pra representá-los no Parlamento Italiano? Há cerca de dez mil quilômetros de distância, fica difícil acompanhar todas suas atividades, por isso é preciso, antes de mais nada, um pouco de boa-fé para acreditar no que dizem e, também, um pouco de esforço para pesquisar o que fazem. Mas existe um serviço independente, chamado “OpenParlamento” (mantido pela associação “Openpolis”) que, desde 2008, fornece todos os elementos para o completo monitoramento de deputados e senadores italianos.

Através desse serviço sabemos, por exemplo, que o deputado Fabio Porta é o terceiro em produtividade dentre os 630 deputados e está presente em quase 77% das sessões do legislativo italiano, enquanto seu colega argentino Ricardo Merlo está classificado em 480º lugar na produtividade e só comparece a menos de 12% das sessões. Que Renata Bueno fica na 390ª posição no quesito produtividade e presença inferior à metade (47,35%) das sessões, perdendo, entretanto, para o ítalo-argentino Mario Borghese, classificado na 506ª posição da produtividade e quase 49% de ausências.

No Senado, segundo o mesmo serviço, o campeão sulamericano em produtividade é o senador ítalo-argentino Claudio Zin (12º lugar entre 315 senadores), presente em quase 69% das sessões, enquanto o ítalo-brasileiro Fausto Guilherme Longo está quase no outro extremo em produtividade (277º lugar) com presença em 65,94% das sessões.

O serviço explica detalhadamente como é calculado cada um dos itens. O índice de produtividade, por exemplo, analisa uma série de aspectos – quase um tratado – mas não leva em consideração o trabalho, ainda que relevante, que alguns parlamentares desenvolvem em cargos necessários ao funcionamento da máquina política e administrativa do Parlamento, como comissões, grupos, comissões e outros. A coleta dos dados que baseiam as classificações, entretanto, é feita objetivamente e sempre através de sistema automatizado, diretamente do Parlamento. “OpenParlamento coloca à disposição – informam os editores do site – de todos os cidadãos os instrumentos para seguir, compreender e participar sobre tudo o que é proposto, discutido e votado por deputados e senadores do Parlamento Italiano”.

Navegando pelo site sabe-se como cada parlamentar votou (e se estava presente na votação) em cada uma das matérias submetidas à análise dos representantes do povo italiano. É curioso observar que na maior parte das ausências aparece a palavra “missão”, ou “em missão”. Mas vê-se, por outro lado, que Porta participou de 20.451 votações eletrônicas em plenário. Também é possível verificar o nível de “rebeldia” de cada parlamentar, isto é, quantas vezes ele votou contra a orientação de seu grupo ou partido. Porta não é, segundo “OpenParlamento”,  um deputado rebelde: votou apenas 46 vezes (0,29%) diversamente do seu grupo parlamentar, ou seja, o Partido Democrático.

Detalhe importante também diz respeito aos dados patrimoniais de cada parlamentar, com base no que eles próprio declaram. Renata Bueno declara renda de 84.860,40 euros em 2014 (em 2013, renda de 45.618,75 euros), mas seus dados são classificados como “escassos – informações parciais”, sem informações sobre os exercícios de 2015 e 2016. O senador Fausto Longo, também em 2014, declarou renda de 296.305,90, com “informações completas” (em 2013, informações parciais, com 130.867,48 euros de renda), não existindo dados dos últimos dois anos. Tanto Renata quanto Fausto nada declaram em “despesas eleitorais” ou “contribuições eleitorais”, enquanto Fabio Porta declara 29.965,00 euros de contribuições eleitorais em 2013  e renda de 98.471,00 euros nos anos 2013 a 2015, sem declaração em 2016. Também Porta aparece com “informações escassas” todos os anos.

O mais rico de todos os parlamentares sulamericanos é o senador Claudio Zin, segundo declara o próprio parlamentar. Ele declarou renda de 389.559,30 euros em 2014 e 233.989,42 euros em 2013, mas, assim como Merlo e Borghese,  nada declarou de gastos com eleições. Merlo disse que teve renda de 35.890,01 euros em 2013 e 151.963,60 euros em 2014. Seu colega argentino Borghese disse que teve renda de 108,477,65 euros em 2013 e 186.615,60 em 2014. Nenhum deles informa sobre 2015 e 2016.

Como bens patrimoniais, Renata declara ser coproprietária de um apartamento e uma garagem recebidos em doação, no litoral paranaense (Matinhos); Fausto, um apartamento em São Paulo-SP; Porta, coproriedade e propriedade em Roma e São Paulo, sem detalhes; Merlo, copropriedade em Buenos Aires, e automóveis Fiat Panda 2007 e Alfa Romeo Giulietta 2012; enquanto Borghese declara propriedade em Córdoba e dois automóveis: Mercedes 1990 e Nissan 2011. O senador Zin tem propriedade em Buenos Aires e automóvel Ford Mondeo 2011.

“OpenParlamento” vai muito além das informações pessoais sobre cada parlamentar. Permite também comparativos entre parlamentares e oferece um quadro completo das atividades de cada um deles. Sabe-se, por exemplo, que a deputada Renata Bueno apresentou projeto de lei instituindo o “Dia Nacional dos Italianos no Mundo”, ainda não apreciado em nenhuma instância. Através de uma simples inscrição, o eleitor pode se habilitar à recepção de relatórios contínuos sobre a atividade parlamentar, pois o compromisso do serviço é com a completa transparência.