Cidadania em Curitiba: Empresária denuncia ‘pegadinhas’ processuais de última hora e pede transparência. Procedimento atinge a quase totalidade dos pedidos

“Não estou aqui para criticar o consulado e, sim, contribuir para melhorar o atendimento e evitar que as pessoas sejam abusadas por coisas que não estão claramente predeterminadas”, adverte Camila Malucelli, ao informar que praticamente cem por cento dos processos de cidadania estão sendo glosados pelo Consulado Geral da Itália em Curitiba. “De seis meses para cá, as coisas pioraram ainda mais” a tal ponto de as pessoas estarem desistindo do sonho da dupla cidadania, informa ela.

Com sua colaboradora Nataly Ramalho, a conhecida empresária (Ferrara Cidadania) procurou a revista Insieme para dizer que não está mais sendo suportável o nível de exigências aleatórias e imprevistas impostas pelo setor de cidadania do Consulado de Curitiba, em contraste ao próprio roteiro divulgado.

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Em tele-entrevista concedida na manhã de hoje (24/01), Camila fez um apelo aos representantes institucionais da comunidade italiana para que verifiquem o que está acontecendo em prejuízo dos ítalo-brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. “As coisas começaram a acontecer em Florianópolis e hoje se estendem a toda a circunscrição consular”, coincidentemente na mudança do responsável pelo setor de cidadania do consulado.

“Temos urgentemente que buscar soluções, melhorar o roteiro ou agir de forma mais transparente”, pois, ainda segundo ela, há um “abuso em curso” com evidentes prejuízos aos interessados que, após ficar muitos anos na fila, se preparam seguindo as exigências publicadas pelo consulado e acabam tendo suas esperanças frustradas por interpretações “inventadas” na hora da apresentação dos documentos.

Elas citam como exemplo questões ligadas à comprovação de endereço (se com contas de luz, água ou correios), à tradução e retificação de nomes de pessoas já falecidas, minúcias em documentos originais e uma série de outras exigências ‘tiradas da cartola’ de algum atendente na hora final.

“Não sabemos se tais orientações vêm de Roma, se partem da direção consular, ou são consequência do despreparo (ou insegurança) do atendente ocasional”, o fato é que “é necessário maior transparência”, argumenta Camila.

Conforme explicou na entrevista, Camila tem certeza que esse comportamento consular se aplica tanto sobre processos encaminhados sob orientação da empresa que dirige, quanto a processos de pessoas que procuram o consulado diretamente. “A gente sabe disso porque muitos que saem frustrados do consulado nos procuram para obter alguma orientação sobre o que fazer”.

“É sempre um tiro no escuro”, diz ela, lembrando que o consulado de Curitiba tem sido historicamente um dos mais criteriosos mas, agora, “está uma bagunça”. Às vezes, “há a impressão de que o objetivo é fazer as pessoas desistirem.

Camila lembra que as pessoas têm gastos com documentação, traduções e tudo o mais, e não podem ser “apanhadas de surpresa na última hora com alguma ‘pegadinha’ imprevista ou inventada ao sabor do requerente”.

Na entrevista, a empresária diz ter consciência de que os consulados geralmente não gostam de intermediários ou empresas que atuam na área da cidadania italiana e que, por isso, não existe clima para um diálogo que poderia ser benéfico para todos. Mas que uma coisa é certa: “o cidadão não pode ser enganado como está acontecendo”.

Camila também comentou sobre as duas filas que existem em Curitiba: a tradicional, que vem sendo convocada à razão de três mil inscritos por semestre, e a do Prenot@ami. A fila tradicional, seguindo os ritmos atuais, poderá ser resolvida somente dentro de pelo menos cinco anos.