Di Maio “esquece” italianos no mundo em sua primeira saudação como Ministro das Relações Exteriores. Mas elogia rede diplomática e define prioridades

1381

Não há uma palavra sequer dirigida à numerosa comunidade italiana que vive no exterior em toda a mensagem de saudação do novo ministro das Relações Exteriores e Cooperação Internacional, Luigi Di Maio, de 33 anos, empossado ontem, logo após o juramento prestado por todos os integrantes do 87º governo italiano desde a unificação da Itália.

O líder do ‘Movimento 5 Stelle’ (durante o governo de centro-direita partilhado com Matteo Salvini, ele comandava os Ministérios do Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Políticas Sociais) tomou posse em seu novo posto no governo de centro-esquerda sob o comando de Giuseppe Conte-Bis prometendo atenção prioritária aos “desafios e emergências mais imediatas, como o Mediterrâneo alargado, a África e a questão migratória”, com a “superação do regulamento de Dublin”.

Di Maio sucede a Enzo Moavero Milanesi e tem sob seu comando um total 278 escritórios funcionando no exterior, entre embaixadas (125), consulados (79), representações permanentes (5) e missões diplomáticas (5), além de 498 consulados honorários em todo o mundo e de 83 Institutos de Cultural que funcionam em 59 países. No mundo inteiro, a rede diplomático-consular italiana ocupa a 11ª posição, enquanto é a primeira entre os países ocidentais constitui (dados de Global Diplomacy Index pubblicado pelo Lowy Institute).

Ao garantir que o novo governo terá como “objetivo prioritário o interesse nacional na Europa e no mundo”, Di Maio tece elogios à diplomacia italiana, formada por homens e mulheres que qualifica como “um recurso insubstituível”, com ênfase aos mais jovens que atuam em Roma ou junto às embaixadas, consulados e institutos de cultura.

“Assumo – disse Di Maio em sua saudação, que traduzimos integralmente na sequência – com grande entusiasmo e profundo senso de responsabilidade o cargo de Ministro das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional. Dirijo uma calorosa saudação a todas as mulheres e homens da Farnesina, particularmente aos mais jovens, junto à Administração Central, nas Representações Diplomáticas e nos e Escritórios consulares, nos Institutos de Cultura, e junto à Agência Italiana para a Cooperação e o Desenvolvimento”.

“Já como Vice-Presidente da Câmara, Ministro do Desenvolvimento Econômico e Vice-Presidente do Conselho tive oportunidade de relacionar-me em diversas ocasiões com o nosso corpo diplomático. Exatamente naquelas circunstâncias, aprendi apreciar qualidades e competências da diplomacia italiana, não somente no processo de manutenção e reforço de nossas relações internacionais, mas também na promoção do Made in Italy no mundo e na internacionalização do sistema econômico italiano”.

“Como Governo estamos conscientes da delicadeza dos compromissos que nos esperam e das expectativas das italianas e italianos. Enfrentaremos abertamente cada desafio. A política externa, que será um componente essencial da ação desse Governo, terá como objetivo prioritário o interesse nacional na Europa e no mundo, no respeito recíproco com nossos parceiros e com a autoridade que se espera de um País grande como a Itália e sua reconhecida e apreciada tradição de equilíbrio e abertura ao diálogo com os demais. A política exterior é um instrumento insubstituível no atual contexto global, sempre mais complexo, mutável e competitivo, no qual as ações diplomáticas contribuem para dar resposta a questionamentos concretos e têm repercussões imediatas sobre o bem-estar quotidiano dos cidadãos”.”

“Por isso pretendemos enfrentar as transformações globais em curso, mantendo um diálogo franco e aberto com nossos parceiros, sem, obviamente, renunciar aos valores comuns europeus e atlânticos que caracterizam a história do nosso País.”

“Atenção prioritária será dada aos desafios e emergências mais imediatos, como o Mediterrâneo ampliado, a África e a questão da migração, sobre os quais pretendemos trabalhar por uma maior responsabilização da Europa e pela superação do regulamento de Dublin. A África, particularmente, não pode mais ser vista somente como um motivo de preocupação, mas como uma oportunidade para identificar novos parceiros estratégicos através dos quais se possa incrementar o desenvolvimento e o crescimento do nosso País.”

“Investir em mercados emergentes, inovação tecnológica e pesquisa científica são instrumentos importantes para a internacionalização de todo o “Sistema Paese”, alimentando-lhe a dinâmica do crescimento sustentável e a atenção ao equilíbrio climático e ambiental, para desencadear círculos virtuosos de crescimento e desenvolvimento em benefício das futuras gerações. Este também será um ponto fundamental da atividade que pretendo realizar, com perseverança e determinação.”

“Profissionalismo, dedicação ao Estado e comprometimento são qualidades essenciais, assim como o serviço que somos chamados a prestar é um bem público, tangível e valioso para cidadãos, para instituições e empresas, com os quais temos a obrigação de manter um diálogo contínuo e transparente.”

“Os ambiciosos objetivos a que nos propomos exigem o compromisso constante de cada um de nós.”

“Como já tive oportunidade de constatar outras vezes, estou seguro de que posso contar com a total colaboração de todo o pessoal da Farnesina e da rede no exterior que constitui um recurso insubstituível. Desejo, portanto, dirigir-me a todos, especialmente àqueles que servem com grande espírito de sacrifício em locais de crise e guerra, um sincero agradecimento e um desejo de bom trabalho. Luigi Di Maio”.