Dizendo-se vencida pela burocracia, Renata desiste do ‘Passione Italia’ e pergunta aos seus: ‘Civica Popolare’ serve?

Nem bem duas semanas após ter anunciado a sua recandidatura por um novo partido – o ‘Movimento Passione Italia’ que anunciava ser o primeiro italiano no Brasil, Renata Bueno joga a toalha e desiste, aparentemente vencida pelas exigências burocráticas da lei eleitoral italiana. Num arquivo de voz que chegou à revista Insieme nesta madrugada, ela confirma pessoalmente, em mensagem aos seus “amigos de lista”, a adesão a uma formação já existente na Itália para não ter que enfrentar o desafio final da coleta de assinaturas de apoio que já estava em curso.

“Vejo que estamos já na quinta-feira, e não conseguimos fechar a lista, e não temos o tempo suficiente para colher essas assinaturas entre quarta ou quinta-feira próxima, quando devemos fechar tudo”, diz a candidata ao dirigir-se a seus destinatários, confirmando informações que circulavam já no final da tarde de ontem.

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Questionada por Insieme ainda ontem à noite, a candidata não se manifestou. Próximo do meio dia de hoje, já publicada esta matéria, a candidata informou em mensagem lacônica que o ‘Movimento Passione Italia’ “é um percurso iniciado com muito entusiasmo”, mas que “estamos ainda decidindo sobre a que grupo de alguma coalisão italiana haveremos de aderir”.

Desde que teve seu nome vetado por Usei – Unione Sudamericana Emigrati Italiani, através do qual se elegeu em 2013, Renata Bueno vinha procurando uma legenda para se candidatar, repetindo praticamente o mesmo drama que enfrentou nas últimas eleições. Seu sonho sempre foi entrar no PD – Partido Democrático italiano, mas entre outros fatores, enfrenta o veto da direção da agremiação no Brasil. Diante das dificuldades em suas tratativas, decidira, recentemente, fundar um movimento próprio, mas embora tenha assegurado que tudo estava já devidamente registrado, anunciou seu temor de ficar fora por não vencer as exigências da burocracia eleitoral.

Aliás, essa mesma burocracia estão enfrentando todos os candidatos, alguns até com preocupações singulares como, por exemplo, não constar da lista oficial de eleitores, fornecida pelo Ministério do Interior italiano aos candidatos. Hoje pela manhã, a assessoria do candidato Walter Fanganiello Maierovitch – seu nome não estava na lista oficial dos eleitores – informou que “tudo está resolvido. “O próprio Consulado confirmou que a situação dele está ok”, disse um assessor do candidato.

As eleições italianas para a renovação do Parlamento serão realizadas dia 4 de março, na Itália.No Exterior, onde os eleitores votam por correspondência, o processo de votação deve ter início já no começo da segunda quinzena de fevereiro. Na América do Sul, os italianos elegem quatro deputados e dois senadores.

Transcrevemos, a seguir, e em português áudio de Renata, que se expressa em italiano aos seus correligionários; “Caros amigos candidatos, amigos de lista. Nós estamos um pouco ansiosos porque três de nossos candidatos não tinham o documento de inscrição eleitoral que é imprescindível para a inscrição na chapa, ao registro da candidatura. E se não temos esses documentos, não podemos fechar a nossa lista de candidatos e iniciar o recolhimento de assinaturas”.

Renata se reporta a seguir a conversas anteriores, a que Insieme não teve acesso e que traduzem uma luta que já vinha sendo travada há mais tempo contra a burocracia: “Dário, aqui em cima, explicou bem, porém eu queria apenas ratificar que não é uma decisão minha, mas deve ser uma decisão a ser tomada juntos. Eu já tinha colocado essa decisão à disposição já há três dias. Tínhamos decidido prosseguir no recolhimento de assinaturas. Porém, vejo que já estamos numa quinta-feira e não conseguimos ainda fechar a lista e não temos o tempo suficiente para colher essas assinaturas entre quarta ou quinta-feiras próximas, quando devemos fechar tudo’.

A candidata adverte para o fato de que não pretende correr o risco de ficar fora da contenda eleitoral e, por isso, toma uma decisão: ‘Não podemos arriscar de não participar das eleições por falta de assinaturas, porque não sabemos ainda quando estaremos em condições de iniciar a coleta. Por isso eu queria solicitar gentilmente a cortesia de nos compreender”.

A logo de “Civica Popolare”, capitaneada pela ex-ministra Lorenzin. (Reprodução)

Anuncia, então, uma saída, aliança com uma coalisão de partidos e movimentos italianos, chamada lista “Civica Popolare”, que já envolve “Italia dei Valori”, “Centristi X l’Europa”, “Unione”, “L’Italia è Popolare” e “Alternativa Popolare”, capitaneada pela ex-ministra da Saúde, Beatrice Lorenzin, explicando que, entretanto, nada muda: “Nós estamos organizando esta aliança. Não estamos mudando de partido, não estamos mudando nada”.

Segundo Renata Bueno, após as eleições, seu partido tomará corpo, mas para fugir da burocracia nas eleições e não correr o risco de ficar fora do pleito, anuncia adesão à coalisão italiana: “O ‘Movimento Passione Italia’ já é um partido e seremos sempre um partido. Porém, participaremos de uma aliança na Itália , para não ter necessidade de colher as assinaturas. Eu vos asseguro que, com as eleições realizadas, nós imediatamente haveremos de constituir o ‘Movimento Passione Italia’ em condições de criar um verdadeiro e próprio partido em todo o território. Obviamente ali estaremos já em condições de levar adiante nossos projetos. Entretanto, não podemos arriscar neste momento de ficarmos fora das eleições. Ok?”

Explica- a seguir, o que é a lista “Civica Popolare”, pergunta se todos estão de acordo, e explica que tem outras alternativas, tanto ao centro, quanto ao centro-direita: “Deixo-vos ainda com esta decisão, nós com “Cívica Popolare”... é um recipiente onde existem várias associações, movimentos e pequenos partidos que já estão participando dessa coalisão – é uma coalisão, ok? E não é um partido. Portanto o “Movimento Passione Italia” entra como um partido aliado, que adere a esta coalisão. Assim, é muito clara a nossa posição. E depois, gostaria de saber de vocês se não há nenhum problema… “Civica Popolare” é liderado pela ministra da Saúde, a ministra Lorenzin, que é também jovem, uma brava mulher. Temos ali também Pier Ferdinando Casini, que é ex-presidente do Parlamento, e também o senador Aldo Di Biagio, na Europa e, portanto, penso que estamos em condições de continuar juntos. Temos também outras duas alternativas que é “Energia per l’Italia”, de centro, e “Noi per l’Italia’, de centro direita. Porém, vejo que com “Civica Popolare”, olhando nossos participantes de lista, estamos mais direcionados a esta linha. Ok? Eu vos agradeço e continuemos em contato”.