Eleições Italianas: De olho na ainda baixa participação, candidatos ignoram a coincidência do encerramento do processo eleitoral no Dia do Imigrante Italiano no Brasil

DATA TAMBÉM NÃO TEM, SEGUNDO SE DEPREENDE DO SILÊNCIO SOBRE ELA, NENUMA COMEMORAÇÃO ESPECIAL DA COMUNIDADE ÍTALO-BRASILEIRA

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CURITIBA – PR – Nenhum dos candidatos ítalo-brasileiros na disputa para o Parlamento Italiano lembrou até aqui, mas amanhã, 21 de fevereiro – exatamente o dia em que se encerra o processo eleitoral do voto por correspondência – é oficialmente, no Brasil, o Dia do Imigrante Italiano.

A recepção dos votos pelos consulados italianos será encerrada pontualmente às 16 horas e o material será enviado em seguida a Roma, onde os votos de toda a Circunscrição Eleitoral do Exterior serão apurados. É a terceira vez que os italianos residentes ao redor do mundo são convocados a votar por correspondência, na eleição de 12 deputados e seis senadores que tomarão assento no Parlamento Italiano. E até o momento registra-se, também, o mais baixo índice de participação em todo o Brasil.

A data estabelecendo o Dia do Imigrante Italiano foi regulada em lei (número 11.687) aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República em 2 de junho de 2008. Ela marca o dia de chegada a Vitória, no Espírito Santo, em 1874, da primeira expedição de italianos, a bordo do vapor “Sofia”. Eram as primeiras 380 famílias que vinham ao Brasil para substituir a mão de obra escrava negra nas lavouras da região. A se julgar pelo silêncio até aqui verificado em todos os setores da comunidade ítalo-brasileira, nenhum evento especial deverá marcar a data este ano.

A coincidência das duas datas – a data histórica e o encerramento eleitoral – ocorre por mero acaso, desde que as autoridades italianas convocaram, no final de dezembro último, eleições antecipadas para a formação de um novo governo em substituição ao de Mario Monti, que, mesmo na condição de um “governo técnico”, perdeu o apoio da maioria no Parlamento.

Segundo informava na noite anterior o deputado Fabio Porta, os baixos índices até aqui registrados não são um “privilégio brasileiro”, atribuído às festas carnavalescas. Também na Argentina e, mesmo, na Europa – segundo Porta – os índices estão abaixo das expectativas. Na Itália o voto acontecerá dias 24 e 25.

Nas últimas eleições do gênero, em 2008, o índice médio de devolução dos envelopes distribuídos pelos consulados através dos Correios, no Brasil, foi de 50,33%. A jurisdição consular de Curitiba foi a que apresentou o maior índice de participação – 56,27%, vindo Porto Alegre em segundo lugar, com 53,62%; Belo Horizonte em terceiro, com 51,37% e São Paulo em quarto, com 50,76. Rio de Janeiro foi a que registrou o mais baixo índice de participação, com 38,78%.

Observe-se que o voto, pela legislação italiana, não é obrigatório. A baixa participação, entretanto, prejudica as pretensões dos candidatos ítalo-brasileiros que disputam as quatro cadeiras à Câmara e duas ao Senado com os demais países da América do Sul. A Argentina – o maior colégio eleitoral da seção – tem mais do dobro de cidadãos com direito de voto que o Brasil.

A foto histórica mostra Italianos na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, em 1890 (Foto Web).