Eleitos ao CGIE concedem primeira entrevista. Villone defende que pretendentes à cidadania italiana conheçam língua

Entrevista com o neo-conselheiro Cesare Villone.

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Entrevista com a neo-conselheira Silvia Alciati.

Rita Blasioli defende a “reformulação das filas” (da cidadania), com o bloqueio temporário de novos requerimentos e, após liquidadas as filas, sua reabertura dentro de novos critérios que chama de “diferenciados”; Cesare Villone advoga a exigência, aos pretendentes ao reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue, de uma “aproximação maior” com a cultura italiana, algo como algum conhecimento pelo menos básico da língua; enquanto Silvia Alciati demonstra-se inconformada com uma situação que, segundo ela, piorou: “além de continuarmos com as filas, ainda temos a taxa dos 300 euros”. “A gente jamais imaginava – enfatiza ela – que o jogo fosse virar contra nós: criou-se um instrumento para enriquecer ainda mais os cofres do Estado e os recursos para os nossos Consulados continuam não vindo”. Todos os três novos conselheiros, entretanto, advogam a devolução total ou parcial dos recursos arrecadados para reforçar as atividades consulares e melhorar o atendimento.

Na primeira entrevista concedida individualmente pelos novos conselheiros do Brasil no CGIE – Consiglio Generale degli Italiani all’Estero, além da externação livre de sentimentos no calor na vitória e de suas mensagens à “maior comunidade italiana” fora da Itália no mundo, cada representante foi questionado pela Revista Insieme a respeito de dois temas: filas da cidadania e taxa dos 300 euros, cobrada desde meados do ano passado para cada requerente cujo direito decorre da condição de ser descendente de imigrantes italianos, mas cuja fila de espera se arrasta para além de dez anos em quase todos os consulados italianos que operam no Brasil.

As entrevistas, concedidas imediatamente após o encerramento do processo eleitoral e proclamação dos vencedores pelo embaixador Raffaele Trombetta, estão gravadas nos vídeos que acompanham esta matéria. Rita Blasioli, de São Paulo, por exemplo, afirma que praticamente não tem ouvido reclamações de pessoas que sejam contra a cobrança da taxa, mas defende que esse dinheiro seja devolvido para os Consulados poderem se aparelhar e melhor atender a comunidade. Com relação a isso, há poucas divergências (a diferença, entretanto, está na veemência) entre os eleitos. Villone, por exemplo, acha justa a cobrança da taxa, mas entende que pelo menos uma parte deveria ser devolvida aos consulados de origem para possibilitar a melhoria de seus serviços.

A taxa dos 300 euros foi instituída por proposta de um senador trentino, no bojo de matéria que visava resolver os problemas orçamentários do governo italiano, sem a oposição manifesta de nenhum dos parlamentares eleitos no exterior. Pegos de surpresa, eles tentaram, depois, realizar emendas que não prosperaram diante da imposição do “voto di fiducia” por parte do Executivo. As reivindicações posteriores de devolução parcial ou total desse dinheiro aos consulados de origem ficaram no campo das intenções, com as conhecidas “ordens do dia”. Pelo menos duas delas foram apresentadas: uma da deputada Renata Bueno e outra do deputado Fabio Porta que, num segundo tempo, propôs também a redução da cobrança para 100 euros.

Desde que o CGIE foi criado, na década de 80 do século passado, esta é a primeira vez que, dentre os representantes do Brasil, estão mulheres. Talvez por isso, Alciati não deixa passar em branco: anuncia que vai lutar para o reconhecimento da cidadania italiana pela via materna antes de 1948, quando, pela normativa vigente, apenas os homens a transmitem. O tema, como se sabe, é recorrente e já foi objeto de diversos projetos apresentados no Parlamento.

Os três novos conselheiros são todos italianos natos. Rita Blasioli, ex-presidente do Comites de São Paulo, presta serviço ao Patronato Acli. é casada, tem duas filhas brasileiras e naturalizou-se brasileira, enquanto Silvia Alciati é também nascida na Itália e acaba de deixar a presidência do Comites de Minas Gerais, em cujo cargo reelegeu-se nas últimas eleições. É natural de Turim e está no Brasil desde o ano 2000.

Dos três eleitos, o único a não integrar os Comites – Comitati degli Italiani all’Estero, é Cesare Villoni. Ele é italiano nato (Turim), chegado ao Brasil na última década, depois de ter passado pela África, Oriente Médio e Leste Europeu. Formado em Ciências Políticas, é presidente da Câmara de Comércio Ítalo-brasileira do Nordeste , com sede em Fortaleza, onde também é vice-cônsul honorário da Itália, além de vice-presidente do Instituto de Cultura Italiana de Fortaleza e representante consular para Estado do Piauí. É, também, responsável pelo Patronato ITAL para a região Nordeste do Brasil.