“Giuliani nel Mondo” relembram história recente com exposições e organizam nova associação no Brasil

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MPara um roteiro em quatro tempos, está no Brasil o vice-presidente da ‘Associazione Giuliani nel Mondo’, de Trieste, Itália, Franco Miniussi. Depois de Brasília e Rio de Janeiro, onde presidiu a abertura de uma exposição itinerante denominada “Ierimo. Semo. Saremo (Fomos. Somos. Seremos) – a emigração giuliana no mundo” em Brasília e no Rio de Janeiro, ele esteve em Curitiba na sexta-feira e, neste fim de semana, encontra-se em Londrina, onde participa dos atos constitutivos de uma nova entidade no Brasil.

A exposição, já levada em diversas localidades, é uma iniciativa, segundo informa a presidente da Associação “Giuliani nel Mondo” de Curitiba, Maria José de Luca, da entidade mundial juntamente com a Embaixada da Itália no Brasil e Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro. Através de painéis fotográficos e relatos em texto, narra um pouco da história de sofrimento e luta de uma parcela da população italiana que, mesmo dez anos após terminada a Segunda Guerra Mundial, continuava sendo perseguida em áreas negociadas e integrantes da ex-Iugoslávia nas cercanias de Triste.

Encontro festivo na ‘Giuliani” de Curitiba, com a presença do vice presidente mundial, Franco Miniussi. (Foto Desiderio Peron / Insieme)

Os “Giulani nel Mondo”, segundo o opúsculo que acompanha a exposição, “são os emigrantes de língua, cultura e nacionalidade italiana, originários das províncias de Trieste e de Gorizia, situadas na extremidade Nordeste da Itália, e os expatriados vindos da Ístria, de Fiume, das ilhas do Quarnaro e da Dalmácia, áreas abandonadas em massa após a ocupação iugoslava no final da II Guerra Mundial. Bem como seus descendentes nascidos em outros continentes, outros países europeus e em outras localidades italianas, nas quais foram acolhidos e onde atualmente residem”.

Em Curitiba, Miniussi participou de um jantar por adesão organizado pela Associação “Giuliani nel Mondo” – AGM local, na sexta-feira à noite. Em Brasília, o visitante foi recebido pela AGM do Distrito Federal, presidida por Roberto Max Lucich. Um programa cultural, organizado pela Unaie – ‘Unione Nazionale Associazioni Italiane all’Estero’ em conjunto com a “Giuliani nel Mondo”, “Lucchesi nel Mondo” e “Bellunesi nel Mondo” acompanhou a organização da exposição, incluindo uma “serata magica” com a apresentação do Coro Italiano da UnB. O evento, que reuniu mais de 200 pessoas na abertura, segundo Max Lucich, aconteceu na sede da Embaixada da Itália em Brasília. A exposição permanecerá aberta durante todo o mês de dezembro.

A nova entidade em organização no Norte do Paraná vai integrar pessoas chegadas no Brasil em tempo diverso daquele da maioria dos “giuliani” em Curitiba e Brasília. São descendentes de imigrantes do final do século 19 e 20, segundo explica o próprio Miniussi, com muitos parentes espalhados pelo Norte do Paraná, Oeste de São Paulo e, mesmo em áreas dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Durante o jantar em Curitiba, Maria José de Luca fez um emocionado discurso em que relembrou e descreveu fatos históricos ainda vivos na lembrança de muitos imigrantes e seus descendentes. O “tenor lírico pop” Alberto Battistella, a pedido, interpretou “Che Sarà”, a conhecida canção italiana que descreve os anos de abandono da Península por parte de milhares de italianos.

No Brasil existem entidades que congregam os “Giuliani nel Mondo” em São Paulo, Curitiba, Pirassununga, Brasília, Rio de Janeiro, Sertãozinho e Tangará da Serra. Além do Brasil, no mundo elas estão na Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, China, Alemanha, Inglaterra, África do Sul, Hungria, Uruguai, Estados Unidos, Venezuela, França, Honduras, México e Nova Zelândia.