Língua italiana nas escolas públicas de SC: Tubarão, no Sul, dá a partida com um projeto piloto envolvendo cinco cidades

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Treze anos depois da assinatura, entre a Itália e o Governo de Santa Catarina, de um protocolo executivo visando “efetivar a inclusão do ensino da Língua e da Cultura Italiana no Sistema Estadual de Ensino”, a região Sul-catarinense começa efetivamente a ensinar o italiano nas escolas públicas. No último dia 26, com a aula inaugural realizada na Escola Lino Pessoa, em Tubarão, teve início o projeto-piloto, inicialmente abrangendo mais quatro cidades. A partir do início do ano letivo do ano que vem, o projeto deverá ser estendido a outras cidades do Estado, cujas comunidades já se manifestaram favoráveis.

Quem informa sobre o desenrolado do projeto é a integradora regional de Educação da área de Tubarão, Fabíola Cechinel, indicada como responsável pelo apoio pedagógico ao projeto. Segundo ela explica na vídeo-entrevista que acompanha esta matéria, a fase piloto do projeto contemplará alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, totalizando 1.300 alunos de escolas de Tubarão, Treze de Maio, Sangão, Pedras Grandes e Florianópolis, totalizando 55 aulas distribuídas para um grupo de professores com formação no idioma.

Cechinel é uma das poucas professoras de italiano remanescentes da turma formada através do ‘Projeto Magister’, iniciado em 2001 em decorrência dos diversos acordos entre o Estado de SC e o governo da Itália (ao que consta, chegou a formar 30 professores presenciais). O último desses acordos – o Acordo de Cooperação Técnica, celebrado em 19/04/2005, trazia o carimbo do Estado de Santa Catarina e so governo da Itália, e deu origem ao ‘Protocolo Executivo” firmado pelos então cônsul da Itália, Mario Tramptetti; presidente do Centro de Cultura Italiana Paraná/Santa Catarina – CCI, Luigi Barindelli; presidente do Centro de Cultura e Língua Italiana Sul-Catarinense – Ceclisc, Gessi Damiani; e, representando o governo do Estado, o secretário da Educação, Jacó Anderle. O acordo de 2005 já era extensão de outro documento precursor, assinado em Florianópolis em 11 de dezembro de 1996 e ratificado em Roma, em 12 de fevereiro de 1997, seguido de um posterior, assinado em Florianópolis em 6 de dezembro de 2001.

Os professores formados em língua italiana através dos recursos decorrentes daqueles entendimentos entre os dois governos estão hoje praticamente todos relocados para outras funções, uma vez que o ensino da língua italiana na rede pública estadual acabou não sendo implementado. Contribíiram para isso os sucessivos cortes realizados pelo governo italiano nos recursos destinados ao ensino da língua italiana em todo o mundo.

Enquanto isso, alguns municípios, como Arroio Trinta e Nova Veneza, pelo menos durante algum tempo, o fizeram isoladamente em suas redes municipais, reeditando prática bem mais antiga: segundo dados históricos, cabe a Ascurra, no Vale do Itajaí, o primado no ensino da ‘Língua de Dante” na rede escolar: em 1876 o município introduzia, pioneiramente, o ensino da língua italiana nas escolas, seguindo-se, em 1876, um projeto-piloto em conjunto com a Universidade Federal de Santa Catarina com o objetivo de ensinar várias línguas nas escolas, conforme narra Maristela Fatima Fabro, numa tese de Pós-Graduação em Sociologia Política da UFSC, intitulada “Trajetórias de uma língua (mal)dita”, que aborda a “supressão, legalidade e emergência do ensino da língua italiana nas escolas públicas de Santa Catarina (1996-2012)”.

Mas a vontade de aprender a língua italiana persiste, dado o alto número de descendentes de imigrantes italianos, não apenas em toda a região Sul do Estado, onde, segundo Cechinel existem áreas onde a população dos ‘oriundi’ chega ainda a 90%. As pesquisas realizadas recentemente, diz ela, indicam uma forte demanda pela preferência no aprendizado da língua italiana.

Segundo Cechinel, o grupo de professores que tocará a fase piloto do projeto atuará nas escolas Lino Pessoa (Tubarão), Alice Júlia Teixeira (Sangão), Monsenhor Peters (Treze de Maio), Professor João Batista Becker e Imaculado Coração de Maria (Pedras Grandes), e Insituto Estadual de Educação (Florianópolis). Todos os diretores dessas escolas estiveram presentes na solenidade de lançamento do projeto piloto. Compareceram ainda o secretário de Estado da Educação; Natalino Uggioni, o diretor de Ensino da Secretaria de Estado da Educação, Alcinei da Costa Cabral; a técnica da coordenação de línguas estrangeiras da Diretoria de Ensino da Sed, Maike Cristine Kretzschmar Ricci, o presidente em exercício e a coordenadora pedagógica do Centro de Cultura Italiana do Paraná/Santa Catarina, respectivamente Domingos Budel e Denyse Macari; o presidente e a vice-presidente do Círculo Ítalo-Brasileiro – CIB, de Florianópolis, respectivamente Mauro Bresolin e Alessandra Carioni; da coordenadora regional de educação – CRE, Maricelma Simiano Jung, além de Fabíola Cechinel, ingradora da mesma CRE.

Segundo explica Cechinel na entrevista, este projeto é uma parceria entre o Governo do Estado, Secretaria da Educação e Relação Internacional e o Centro de Cultura Italiana Paraná Santa Catarina e Círculo Italo-Brasileiro de Santa Catarina, para que todas as escolas possam oferecer a Língua Italiana como uma outra opção de Língua Estrangeira. “A ideia – explica ela – é disponibilizar outra Língua Estrangeira além do inglês e do espanhol, portanto a língua italiana foi escolhida e começa a ser inserida a partir do 6º ano do ensino fundamental. Outro objetivo é fomentar outras escolas a aderir a Língua Italiana como opção e oferecer não somente aos alunos, mas também à comunidade”.