Negócio da cidadania na Itália traz à cena também a “Guardia di Finanza”. Sonegador total denunciado é brasileiro

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Nova fronteira no combate à chamada “máfia da cidadania” que opera na Itália, a sonegação fiscal traz à cena também os militares da Guarda de Finanças, que acabam de descobrir um brasileiro envolvido a partir do negócio da cidadania italiana ‘iure sanguinis’ (por direito de sangue). A sonegação de uma dessas chamadas “assessorias”, conforme divulgaram neste final de semana diversos jornais de Mântua deve chegar à casa dos 200 mil euros.

A empresa, segundo o “Giornale di Mantova”, que não cita nomes, nos últimos cinco anos teria realizado negócios na casa dos 900 mil euros envolvendo o “trânsito de 325 cidadãos brasileiros” que “obtiveram a residência temporária” em habitações localizadas nos municípios de Mântua, Porto Mantovano, Bergantino, Cinisello Balsamo e Cologno Monzese.

O brasileiro referido pelo jornal tinha colocado em funcionamento “uma estruturada organização, sob a forma de empresa individual, dedicada à assistência na Itália em favor de sulamericanos interessados na obtenção da cidadania italiana, com base nos procedimentos previstos pelo instituto jurídico ‘jure sanguinis’”. Esse negócio, ainda segundo o jornal, teve um notável incremento nos últimos anos.

Ainda conforme o jornal reporta, o dono da empresa individual, para prestar assessoria a interessados e também alojamento, “percebeu ingentes somas de dinheiro sem ter cumprido suas obrigações fiscais”, sendo considerado “sonegador total”.

Outro jornal de Mântua – “Il Giorno”, informa que o brasileiro tem 26 anos de idade e ele atendia “brasileiros para os quais foram criadas práticas de cidadania falsificadas pela presença de um ancestral italiano, requisita tão essencial para a aceitação do pedido como totalmente falso”.

Já a “Gazzetta di Mantova” informa que o “consultor ítalo-brasileiro denunciado por evasão fiscal” tinha montado um escritório “em sua própria casa com a ajuda de um familiar – uma verdadeira agência de consultoria para cidadãos sulamericanos, especialmente brasileiros”. Esse jornal, entretanto, deixa claro que os documentos [para a cidadania] não eram falsificados, acrescentando declarações do major Maria Concetta Di Domenica, segundo as quais o passaporte italiano “é particularmente importante para sulamericanos porque com o passaporte europeu se pode ir para qualquer lugar da Europa e também dos Estados Unidos’.

“A Itália representa principalmente um lugar de trânsito: segundo as investigações, de fato, boa parte dos extra comunitários reconhecidos italianos desapareceu; uma vez obtido o passaporte, transferiu-se para outros lugares”, escreve o jornal. Mântua fica no Norte da Itália, na região da Lombardia.

Os jornais italianos reportaram também na semana que passou que a justiça não concedeu liberdade à empresária e política brasileira, naturalizada italiana, Leandra Arnaldo Pavorè, que foi presa em Bérgamo por envolvimento com a falsificação de documentos para a concessão de residência a estrangeiros. Dona da “Agenzia Pavorè” , a empresária, além de apresentadora de um programa de televisão, escreveu livros bibliográficos, chegou a ter sua história contada numa telenovela rodada em Bérgamo, antes de se candidatar como vereadora nas últimas eleições de Bérgamo.