O coronavírus e o nosso futuro

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Voltando ao nosso quotidiano, que envolve as relações Brasil-Itália, a primeira consequência política do Coronavírus-Covid19 foi o adiamento do Referendum Constitucional


 

A epidemia do Covid-19, mais conhecida como Coronavírus, está em pleno curso na Itália e, com surto inicial a partir da China, já está se espalhado por boa parte do mundo – obrigando as pessoas à imobilidade e ao isolamento. A pergunta que, imediatamente me vem em mente é: poderá uma doença tão grave sensibilizar as pessoas e fazê-las se aproximar dos doentes, presos, imigrantes, aos menos favorecidos? E o que tem de diferente de uma simples gripe, dengue ou ebola, que mata muito mais pessoas, mas não tem o mesmo atual apelo de cuidados e pânico das pessoas e organismos sociais, na área da saúde mundial e consequentes graves reflexos econômicos? Já se notam estragos incomensuráveis nas relações comerciais e de investimentos, bastando ver as quedas do volume de negócios, turismo, da balança comercial e da bolsa de valores, especialmente nos últimos dias.

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As notícias e relatos de amigos e clientes, que recebemos diariamente da bota, não são nada animadores e confirmam um estado inicial de pânico nas pessoas. Ficamos aqui, à distância, imaginando quanto custa manter a calma neste ambiente: ter controle, equilíbrio e lucidez na segurança da família, do trabalho e da vida quotidiana impõe que pensemos até no sentido da vida e dos motivos e consequências desta nova epidemia. Ainda estamos em relativa calma no Brasil, pois são apenas algumas centenas de suspeitas e nenhuma vítima fatal até este momento. Ao contrário, são mais de 3.000 mortos na China, quase 5.000 casos confirmados na Itália, com quase 200 mortos até o momento, mas também recordes de pessoas curadas dos sintomas inicialmente perigosos e fatais. No resto do mundo, aos poucos, o vírus está se disseminando, com total risco de uma pandemia.

A humanidade já enfrentou, ao longo da história recente, razoavelmente registrada e contada, milhões de mortos por doenças epidêmicas, que se espalham por diversas regiões do planeta e se tornam pandemias, como foram e algumas ainda são: tifo, malária, sarampo, varíola, tuberculose, febre amarela e a atualíssima Aids.

Merecem registro pelas suas peculiaridades, a Peste Negra, com 50 milhões de mortos na Europa e Ásia, entre 1333 a 1351. Também conhecida como Peste Bubônica, ganhou o nome de Peste Negra por causa da pior epidemia que atingiu a Europa, no século 14. Ela foi sendo combatida à medida que se melhorou a higiene e o saneamento das cidades, diminuindo a população de ratos urbanos.

Já o Cólera, deixou centenas de milhares de mortos, entre 1817 a 1824, mesmo conhecida desde a Antiguidade. Desde então, o vibrião colérico (Vibrio cholerae) sofreu diversas mutações, causando novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos. Quem não lembra do livro “O Amor nos Tempos do Cólera”, publicado em 1985, pelo escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez e as recordações de Florentino Ariza, Fermina Daza e Juvenal Urbino?

No Século XX, tivemos a Gripe Espanhola, entre 1918 e 1919, com cerca de 20 milhões de mortos.  O vírus Influenza é um dos maiores carrascos da humanidade. A mais grave epidemia foi batizada de Gripe Espanhola, embora tenha feito vítimas no mundo todo. No Brasil, levou à morte o ex-presidente Rodrigues Alves, em 1919.

Mais recentemente, tivemos a SARS, em 2003, quando a China foi acusada de tentar encobrir um grande surto de síndrome respiratória aguda grave (SARS-Severe Acute Respiratory Syndrome), um vírus então desconhecido que parece ter emergido dos úmidos mercados da Província de Guangdong, antes de se disseminar por cidades maiores. Pelo menos 774 pessoas morreram em uma pandemia que, à época, atingiu 30 países.

E a Gripe Suína, H1N1, em 2009, também reconhecida como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na segunda quinzena de junho de 2009, depois de contabilizar 36 mil casos em 75 países. Neste período, fiquei particularmente atingido, pois hospitalizado que estive, por mais de 100 dias, em razão de uma pancreatite necro-hemorrágica, me lembro de ficar isolado por algumas semanas, sem poder receber visitas, em razão do possível contágio que poderia me expor. Felizmente nem o vírus H1N1, nem a pancreatite me decretaram o fim.

O perigo mais temido – e para todos os vírus – é o de que depois desse ataque inicial, ele sofra mutações que o tornem mais letal, como ocorreu com a Gripe Espanhola. Se aparecerão cepas mutantes, mais agressivas, não temos como saber. A evolução das espécies é, sobretudo, imprevisível, assim como é o eventual fim desta pandemia e da próxima que teremos pela frente. Resta-nos ficar unidos, firmes nas nossas lutas, cuidando dos nossos doentes, mas com todos os cuidados na assepsia, evitando aglomerações de todo tipo, manter uma distância razoável das pessoas – motivos ridiculamente justos para ficarmos em casa, sozinhos e isolados, navegando na grande rede mundial – para não transmitirmos ou sermos infectados.

Voltando ao nosso quotidiano, que envolve as relações Brasil-Itália, a primeira consequência política do Coronavírus-Covid19 foi o adiamento, no dia 05/03/2020, pelo Conselho de Ministros Italiano, do Referendum Constitucional – que prevê a possível redução de 1/3 no número de parlamentares italianos e onde há circunscrições eleitorais pelo mundo, como é o nosso caso – inicialmente previsto para este mês e que foi tema de artigo anterior. A provável nova data é entre 17 e 14 de maio de 2020, desde que o Coronavírus esteja sob controle e permita a volta à normalidade. Que fase!