Pandemia na Itália: Comerciante traça um retrato da crise depois de seu negócio ficar dois meses fechado. E confessa estar com dificuldade até para alimentar a família

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A pouca atenção dada pela União Europeia à Itália durante os primeiros momentos da emergência provocada pelo coronavírus terá desdobramentos, mesmo passada a pandemia. Os italianos poderão deixar de passar suas férias em países membros como, por exemplo a Áustria, que faz divisa com a bota a norte, como uma espécie de “troco” por “nos terem deixados sozinhos”. A Áustria foi o primeiro país a fechar suas fronteiras com a Itália.

É o que diz, por exemplo, o comerciante chamado Andrea Gargioni, da cidade balneária de Varazze, na Ligúria, tida como a “praia dos milaneses”. Ele, que é presidente da Ascom-Confcommercio (associação dos lojistas) local, afirma categoricamente que passará muito tempo até que, talvez, volte um dia para a Áustria, onde todos os anos “deixava um pouco de dinheiro”, pois ia passar suas férias com a família na área do Trentino-Alto Ádige. Em lugar da Áustria, ele diz que poderá vir ao Brasil.

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Este é apenas um dos aspectos que Gargioni aborda durante entrevista que concedeu a Claudio Piacentini, de Roma, que também passou seus dias de quarentena numa residência que possui em Varazze. Atravessando, como toda a área do comércio que ficou fechada cerca de dois meses, um momento de muitas dificuldades, Gargioni confessa estar tendo problemas inclusive para fazer as compras mensais necessárias à manutenção de sua família.

Vista panorâmica do porto e de Varazze, na Ligúria) (Foto de Davide Papalini / Wikipedia)

Na entrevista, ele imagina longos meses até que as coisas comecem a voltar ao normal, depois de um período de muitas festas, importantes para o comércio local, mas que permaneceu completamente fechado. Numa cidade turística, as pessoas vão às lojas, geralmente acompanhados com familiares, para comprar lembranças e presentes. Agora podem entrar, mas apenas um por vez…

Ele informa o que ele seus colegas pedem do governo para ajudar na solução de uma crise que ainda deverá se alongar por muito tempo. E entre outras coisas, reclama da burocracia. Veja a entrevista, feita em italiano, mas com tradução automática para o português.