Quem, onde estão e quantos são os artistas italianos que aqui vivem da arte? Innocente dá largada ao Censo dos Artistas Italianos. Objetivo é a valorização do trabalho de todos

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Saber quais, onde estão e quantos são os artistas italianos que vivem atualmente no Brasil. Este o objetivo de uma iniciativa inédita abraçada pelo dramaturgo, ator e diretor Roberto Innocente, no Brasil há cerca de 13 anos e que mora em Curitiba-PR.

Segundo o fundador do Grupo Arte na Comédia, de Curitiba, a ideia original é de sua colega Giusi Zamana, presidente da Associação Ponte Entre Culturas, de Belo Horizonte, Minas Minas Gerais que, “como eu, tem o objetivo de fazer justamente essa ponte entre as culturas italiana e brasileira”.

“Esta lista – explica Innocente em entrevista à Revista Insieme – será entregue à Embaixada da Itália no Brasil e aos consulados italianos”, na esperança de que “esses transmetidores da cultura italiana no Brasil” sejam lembrados e tenham o apoio necessário dos representantes do governo italiano aqui estabelecidos. No vídeo que acompanha esta matéria, o artista explica algumas das dificuldades por que passa a categoria. “Para um italiano fazer arte no Brasil é duplamente difícil”, diz.

O dramaturgo imagina que essa seria uma iniciativa que devesse ter sido tomada pelos Consulados e pela própria Embaixada, valorizando artistas de todos os ramos que aqui vivem e dependem da sua arte para viver. Esses artistas contribuem grandemente para a difusão da cultura italiana, geralmente por iniciativa e risco próprio, sem o apoio de ninguém. Por exemplo, ele afirma que “nem um décimo dos autores teatrais italianos são conhecidos no Brasil”. E, assim mesmo, obras famosas como as de Goldoni, que escreveu mais de 200, “são traduzidas e conhecidas umas quatro, apenas”.

A logo criada por Innocente para a campanha de catalogação dos artistas italianos que vivem no Brasil (Reprodução).

Innocente critica, na entrevista, algumas iniciativas oficiais que ignoram os artistas italianos locais, pagando cachês, às vezes caríssimos, e custosas passagens para trazer artistas de fora. Ele diz esperar que, vendo o número e nome dessas pessoas, as autoridades passem a dar algum tipo de valor e ajuda para quem aqui produz cultura italiana sob a ótica de quem aqui vive.

“Acho que adianta pouco fazer belas manifestações que querem falar da cultura italiana ao povo brasileiro. Adianta pouco porque falam para poucos, para muito poucas pessoas, enquanto o povo brasileiro é feito de uma maioria que não tem acesso à cultura” observa o dramaturgo, aduzindo que, “por exemplo, ‘Mia Cara Curitiba’ [promovido pelo Consulado da Itália em Curitiba – NR], não faz nada nessa direção”.

Segundo ele, isto também ocorre com a “maravilhosa ‘Settimana dela Lingua Italiana’ no mundo – uma manifestação que deveria tentar entrar em muitos outros lugares, não apenas ser uma manifestação de fachada, para mostrar que a Itália se interessa por sua língua”. O interesse pela língua “deveria acontecer todos os dias”, completa ele.

A iniciativa de relacionar os artistas italianos nessa espécie de censo está sendo bem recebida, conforme explica Innocente. Somente com a informação difundida recentemente em sua rede de contatos pelo FaceBoock, “cerca de 40 já se apresentaram”, num universo que ele calcula entre, pelo menos, 100 e 150 em todo o Brasil. “Por enquanto, estamos tentando catalogar apenas artistas profissionais”, diz o dramaturgo e também “somente artistas italianos nascidos na Itália”. A catalogação de artistas ítalo-brasileiros pode ser uma segunda etapa, admite.

O censo abrange todas as áreas. “Eu ainda não consegui encontrar pintores, escritores, escultores, mas com certeza tem, este país é muito grande”, argumenta Innocente, ao explicar que ele ainda não conseguiu organizar o trabalho como devia. “Por enquanto estou fazendo repercutir a informação através das redes sociais”. Assim, quem se enquadra no objeto da pesquisa deve entrar em contato com sua página no FaceBoock ou escrever para o e-mail robertoitaliabrasil@gmail indicando a área de atuação (teatro, musica, circo, literatura, poesia, dramaturgia, cinema, TV, pintura, escultura, videoart, fotografia, etc.).