Scalia (Recife) discorda de Cantoni (Paraná): “Ele não está falando pelo Intercomites”

Foto Desiderio Peron / Arquivo Revista Insieme

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O presidente do Comites do Recife, Salvador Scalia, em foto de março de 2007.

A posição do presidente do Comites do Paraná e Santa Catarina e do Intercomites, Gianluca Cantoni, a respeito da interferência de partidos políticos brasileiros na eleição da entidade está sendo contestada pelo presidente do Comites do Recife, Salvador Scalia. Segundo ele, “Cantoni não está falando pelo Intercomites, não tivemos nenhuma reunião para discutir esse assunto”.
“O que tenho a dizer – explica Scalia – é que a Lei dos Comites – Comitati degli Italiani all’Estero não prevê essa situação, portanto a candidatura de qualquer político brasileiro com mandato no Brasil e com dupla cidadania, não é ilegal. Quanto ao uso político  dos Comites isso acontece desde o início e não é ilegal. Começa-se nos Comites e CGIE (Consiglio Generale degli Italiani all’Estero – NR) e tenta-se o Parlamento Italiano. Não é o que vem acontecendo?”
Cantoni afirmou, depois de reações semelhantes de dois conselheiros do Comites PR/SC, que está havendo interferência de partidos políticos brasileiros na eleição do Comites e que “a campanha eleitoral está sendo desvirtuada por algumas pessoas ligadas a partidos políticos brasileiros, que entram em contato com os eleitores buscando os votos para seus filiados”. Segundo Cantoni, que é candidato nas eleições em curso, “inclui até ameaças absurdas como a perda da cidadania italiana ou a suspensão do passaporte para quem não votar”. Sem falar em nomes, ele disse em entrevista ao Portal Insieme que pessoas estão usando o nome de políticos (“candidatos ou não”) para solicitar apoio de Prefeituras na organização de encontros com a comunidade.
Para Scalia, que admite falar em tese mas conhecendo “a realidade a que Cantoni se refere”, a participação da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, como candidata ao Comites, “não é ilegal”. Entretanto, ressalva que “se há divulgação de notícias falsas como a perda da nacionalidade ao não votar, isso sim deve ser denunciado”.
Para o ainda presidente do Comites do Recife (Scalia não é candidato nas eleições em curso), “as declarações do Cantoni fazem parte da campanha política da lista da qual ele participa como candidato” e “não expressam a posição do Intercomites”, cujas decisões, segundo informa, são tomadas “através do debate em reunião ou via e-mail”.
Ainda segundo Scalia, “a lei citada por Cantoni refere-se à participação de funcionários italianos (do governo italiano) nos Comites”. Assim, raciocina ele, “funcionários do governo brasileiro com dupla cidadania podem participar” mas, ao mesmo tempo, ele pergunta: “Não é justo? Tratem de mudar a lei”.
Mais: “Pela lei vigente não há impedimento – sentencia Scalia – Se acham que há, consultem a “Corte costituzionale della Repubblica Italiana”. O Comites – conclui Scalia – “é um órgão de representação, portanto órgão político. A quase totalidade dos candidatos da América do Sul ao Parlamento Italiano passaram pelos Comites ou CGIE. Faz parte. Cabe ao eleitor tentar participar, discernir e votar”.