Moradores do Água Verde reivindicam um memorial da imigração italiana na antiga Colônia Dantas

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CURITIBA – PR – Um movimento para reunir o que ainda resta da história da
colonização italiana na antiga Colônia Dantas – hoje bairro do Água Verde – em
Curitiba-Paraná, está sendo liderado por duas mulheres – Eliane Andretta e
Elzira Stofella Binder. Elas organizaram, recentemente, uma “Mostra Fotográfica
de Imigrantes Italianos do Bairro Água Verde” na sede do Centro de Cultura
Italiana que teve a presença, entre outros, do cônsul geral da Itália em
Curitiba, Enrico Mora.

“Nós vamos fazer esse museu”, assegura Eliane, cujo avô “Nono Dero” foi
doador de vasta extensão de terreno pertencente à sua chácara para que a
Prefeitura pudesse abrir as ruas, tendo inclusive pago todas as taxas de
cartório decorrentes da escrituração.

O atual bairro Agua Verde era então uma área agrícola e tinha o nome de
Colônia Dantas. De sua configuração antiga, restou apenas o cemitério (em parte)
e a Capelinha da Água Verde. Mas foi na antiga Colônia Dantas onde funcionou o
Savoia Futebol Clube que, já então unido ao Água Verde, teve que mudar de nome
durante a II Guerra Mundial. Seu uniforme tinha as cores verde e branco. Foi
também ali que viveu a lendária Maria Polenta, de família Tortato, ao lado de
mais de uma centena de sobrenomes pioneiros, como os Baggio, os Bettega, os
Cavichiolo, os Brunetti, os Derosso, Gabardo, os Gusso, os Fruet (ancestrais do
ex-prefeito Maurício Fruet e do atual prefeito da cidade, Gustavo Fruet) e
tantos outros.

UM POUCO DE HISTÓRIA – Segundo o site “Curitiba Antiga”, a povoação do bairro
da Água Verde, como a da maioria dos bairros de Curitiba, começou a se
intensificar a partir do século XIX. Junto aos da terra, em meados do 1800,
vieram os imigrantes italianos que, já em 1888, tinham edificado a primeira
igreja do bairro.
A Água Verde cresceu principalmente depois da década de
1940: as antigas chácaras foram loteadas, ruas abertas e, hoje, é um bairro
densamente povoado e cortado por vias estruturais que servem ao transporte
coletivo de Curitiba.
As algas que formavam massas verdes e davam uma
coloração esverdeada à água doce, levaram os antigos moradores da região a
batizar o rio que cortava suas fazendas e chácaras com o nome de Água Verde. A
origem do nome vem do ribeirão Água Verde, que nasce e corta a região,
desaguando no Rio Belem. Este ribeirão hoje está totalmente canalizado.
O
Bairro Água Verde juntamente com os bairros do Batel, Bigorrilho, Portão e
Jardim Social, formam os cinco bairros mais nobres de Curitiba. No bairro Água
verde esta a Praça do Japão que é um verdadeiro memorial da imigração japonesa
na cidade.
No bairro está, ainda, o Clube Curitibano, importante clube
recreativo da cidade e também presente no bairro o Cemitério Água Verde, um dos
mais nobres e é um dos cemitérios com os lotes mais caros de Curitiba, onde
descansam personalidades famosas e pessoas conhecidas, como a Zilda Arns, Poty
Lazzarotto e vários outros.
O bairro do Água Verde mescla residências e
edifícios de alto padrão com uma variedade de pontos comerciais, como lojas,
restaurantes, hotéis entre suas vias e avenidas de grande circulação e outros
pontos muito conhecidos e de grande visitação Arena da Baixada, Parque Afonso
Botelho.

FAMILIAS PIONEIRAS – Dentre os sobrenomes, na sua grande maioria de origem
vêneta, que se instalaram na Colônia Dantas, estão muitos que vieram de um
difícil período nas colônias formadas no litoral paranaense, localizadas em
torno de Paranaguá e Morretes, como as Colônias Nova Itália e Alexandra – a mais
antiga. Assim, as famílias nominadas a seguir se estabeleceram no local por
volta de 1879, data em que se encontram as mais antigas referências a esta
colônia italiana nos arredores de Curitiba. Observe-se que algumas famílias ali
permaneceram por pouco tempo, indo se fixar em outras colônias italianas então
em formação em Curitiba ou em cidades vizinhas como Colombo (que se chamava de
Colônia Alfredo Chaves), Umbará, Santa Felicidade, ou mesmo em Piraquara
(Colônia Santa Maria do Novo Tirol). Pela ordem alfabética, eis as famílias
pioneiras: Alberti, Alessandrini, Andreoli, Andretta, Antonietti, Antonietto,
Baggio, Baglioli, Baptista, Baronti, Barusso, Bassan, Bassani, Basso, Beghetto,
Belinari, Belon, Benedetti, Benetello, Berno, Bertoli, Bertollini, Bettega,
Bizotto, Bobbato, Bonilaure, Borsato, Bortoletto, Bot, Bozza, Bozzi, Bruneto,
Brunetti, Buso, Buzzato, Cantorida, Cardon, Carnieri, Carraro, Casagrande,
Castellano, Cavichiolo, Ceccato, Ceccon, Celli, Ceschin, Cemin, Colleone, Conte,
Contogna, Cortadelli, Cortiano, Costa, Costacurta, Cunico, Dalazuana, Dalcol, De
Carli, De Costa, De Cristiani, De Lazzari, De Mio, De Pauli, De Poli, Deconto,
Demetrio, Denico, Derosso, Destefani, Dorigo, Fabris, Foltran, Fontana,
Francechini, Fressatto, Fruet, Gabardo, Gagno, Giacomazzi, Gianini, Giovannoni,
Girardi, Gottardi, Granatto, Grossi, Gusso, Guzzi, Honorio, Lanzoni, Lazarini,
Lazzari, Lavorato, Lorenzi, Lazzarotto, Levorato, Lorenzi, Magrin, Maito,
Maragno, Marchesini, Marchetti, Marchioro, Marcobon, Marcon, Marconi, Marello,
Marodin, Marosin, Massolin, Massuci, Mattana, Meller, Melnai, Meneguzzo, Merlin,
Micheletto, Moletta, Molinari, Moreschi, Motta, Nadalin, Nardino, Negrello,
Orso, Pace, Pansolin, Parolin, Pasello, Pellissari, Percegona, Perfetti,
Perolla, Piazetta, Piccoli, Pichette, Pierini, Pierobon, Pinton, Pizzato,
Poitevin, Pontello, Pontoni, Postai, Prin, Razzolin, Rigoni, Rissetti, Romanel,
Rossetto, Salsi, Sandri, Sartori, Scaramuzza, Schiavon, Scotti, Scremin,
Scrocaro, Segalla, Senegaglia, Serafin, Solieri, Stevan, Stocco, Stofella,
Tasca, Tedeschi, Tedesco, Thá, Tiepo, Thomaz, Todeschini, Tomazzi, Toniolo,
Torquatto, Tortato, Tosin, Trevisan, Turin, Valente, Valentini, Vardanega,
Veltorazzo, Vendrametto, Vendramin, Veronese, Vollatore, Zagonel, Zanardi,
Zanardini, Zadnona, Zanetti, Zaniollo, Zanon, Zardo, Zilli,
Zonta.