Se não forem convocadas eleições ainda este ano, presidentes de Comites no Brasil renunciarão em protesto

CURITIBA – PR – Se até dezembro próximo o governo italiano não convocar as eleições para a renovação dos Comites – Comitati degli Italiani all’Estero, todos presidentes renunciarão a seus cargos em protesto contra o que consideram um desrespeito às comunidades italianas no exterior. A decisão foi tomada em Brasília, na noite do dia 13 último, durante encontro do Intercomites, realizado antes da assembléia do Sistema Itália convocada pelo embaixador Raffaele Trombetta para o dia seguinte.

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A decisão – segundo a redação de Insieme conseguiu apurar – foi tomada por unanimidade dos presidentes de Comites presentes, que a princípio deveriam ter seus cargos submetidos à avaliação dos eleitores ainda em 2009, mas, diante dos sucessivos adiamentos das eleições, foram sendo prorrogados a ponto de já terem cumprido o tempo equivalente a mais que um segundo mandato.

A tese da renúncia em protesto aos sucessivos adiamentos é antiga, e em Curitiba foi registrada a única renúncia havida até aqui: o conselheiro Ivanor Minatti entregou o cargo protestando contra o que considerou uma violência contra os eleitores e contra a democracia.

As eleições para a renovação dos Comites e do CGIE – Consiglio Generale degli Italiani all’Estero, depois do último adiamento, deveria ser realizada no começo deste ano de 2014. Fala-se que ainda poderá ser convocada para o final do ano ou, na pior das hipóteses, para o início do ano que vem. Na decisão tomada, os presidentes de Comites esperam que elas sejam convocadas ainda este ano.

Outro problema, entretanto, acompanha o desaponto de muitos com relação ao que se define de “uma falta de política do governo italiano para os italianos no exterior”. O pleito atenderia a uma nova fórmula, mesmo sem que a legislação que regula o funcionamento dos Comites fosse alterada: o uso de sistema eletrônico que – como é sabido – não envolveria a totalidade dos eleitores, principalmente os mais idosos, ou a obrigatoriedade de o eleitor se dirigir às sedes consulares para votar. Isso reduziria em muito a participação dos eleitores, a ponto de passar a imagem de desinteresse da comunidade sobre a matéria.

Na esteira da eleição dos Comites, deverá acontecer também a do CGIE – um órgão que corre o risco de extinção e sobre cuja composição ainda não há sequer um consenso firmado desde que foi criada a Circunscrição Eleitoral do Exterior, através da qual a comunidade italiana elege 12 deputados e seis senadores para o Parlamento Italiano. O órgão convocou realiza assembléia orginária no final deste mês, em Roma, e aguardam-se novidades sobre o seu futuro.

No caso dos presidentes de Comites, havendo a renúncia, as fontes ouvidas por Insieme indicam que ela seria precedida de uma discussão interna em cada uma da cinco circunscrições para que a debandada ocorresse também em relação ao conselheiros.