Carta de Palermo fala no “encurtamento das distâncias entre os italianos fora da Itália e as instituições”. No vídeo, uma análise de quem participou

501

Mais que uma carta, quase uma poesia – esse o documento final do Encontro dos Jovens Italianos no Mundo, realizado na cidade siciliana de Palermo, de 16 a 19 últimos. O documento, lido na seção de encerramento, ontem (19/04) mas não votado pelos participantes, faz duas referência à “Rede de Jovens Italianos no Mundo” e só foi tornado público na tarde deste sábado, na versão em italiano.

Cada um de nós traz consigo associações e comunidades para retornar e contar a experiência do Seminário”, diz o documento, já nas linhas iniciais. A carta fala na diversidade como “riqueza” a serviço da Itália e preconiza a integração dentro de “uma nova maneira de pensar”. Que “a mobilidade não seja superficialidade e a globalização falta de generosidade para com o lugar onde se vive”, admoesta o documento final, cuja autoria é desconhecida pela maioria dos jovens participantes, segundo Insieme pode apurar.

Ao encontro organizado pelo CGIE – ‘Consiglio Generale degli Italiani all’Estero’ acorreram representantes de 115 países do mundo inteiro, com idade entre 18 e 35 anos, escolhidos pelos Comites – ‘Comitati degli Italiani all’Estero’, muitos deles com custos patrocinados por empresas, já que formalmente a organização garantia a participação de apenas um representante por país. Do Brasil, foram 15 jovens.

No vídeo que acompanha esta matéria, os participantes Andrey Taffner e Tairine Trainotti, ambos descendentes de trentinos e de Santa Catarina, fornecem mais informações, como fizeram desde o início, na condição de correspondentes de Insieme. Segundo eles, exceto na abertura, com o pronunciamento do senador Ricardo Merlo, subsecretário para os italianos no mundo da Farnesina, todo o encontro transcorreu sem que se percebessem ingerências políticas de nenhuma espécie.

Ambos fazem uma análise dos resultados do encontro que abordou também aspectos relacionados ao mercado de trabalho dos jovens na Itália e no exterior.Taffner acha importante a mensagem que fica, segundo a qual a Itália demonstra ter consciência das iniciativas dos italianos no exterior, das nossas comunidades e está interessada em valorizar o nosso trabalho. Abaixo reproduzimos, em português, a íntegra do texto da Carta de Palermo (que está em italiano na foto):

Carta do Seminário de Palermo
Somos jovens italianos fora da Itália, cada um de nós traz consigo associações e comunidades para retornar e contar a experiência do Seminário de Palermo.

Contaremos que é realmente verdade que os italianos estão em toda parte, que rimos e refletimos juntos sobre como alguns traços são inseparáveis de nós, em qualquer latitude: somos o que comemos, somos reconhecidos pela maneira como nos vestimos, mas também pelo desejo de realização, com criatividade afinco. Nós somos aqueles que se perguntam por que o mundo, a partir das instituições de nosso país, não poderia funcionar muito melhor, e que não deixam de misturar energia com raiva para alimentar a esperança de mudar não só alguma coisa, mas tudo.

Muitos de nós viveram em mais países e cidades, nossos pais e nossos avós provêm de diferentes regiões da Itália e do mundo e, mesmo que nos esforcemos, não conseguimos ver essa diversidade como um problema porque, para nós, sempre foi uma riqueza. Talvez por vezes complicado de gerenciar, aos olhos dos outros somos “Outros” mesmo quando temos a mesma residência e o mesmo passaporte, mas agora sabemos que este espaço “outro” pode ser vivido conjuntamente.

Fazê-lo cheio de projetos.
Para satisfazer a nossa necessidade de cultura, de trabalho, de grande e ideal proximidade com a Itália.

Torná-lo aberto a um novo modo de pensar.
Pora que a mobilidade não seja superficialidade e a globalização falta de generosidade para com o lugar onde se vive, mas para que sejam criadas por nós novas formas agir e nos tornarmos cidadãos do mundo e, ao mesmo tempo, reconhecer e valorizar as muitas formas culturais, associativas e profissionais italianas.

Torná-lo cheio de relacionamentos.
Porque, nestes dias, a “Rede de Jovens Italianos no Mundo” foi vivida com paixão e beleza, e nos fez diferentes desde que chegamos, porque agora, para sempre, nós somos parte da vida um do outro e de nossas comunidades.

Torná-lo concreto e compartilhado.
Porque a “Rede de Jovens Italianos no Mundo”, que agrega pessoas com bagagens repletas de experiências únicas, pode contribuir fortemente não apenas nos países de origem, mas também para o sistema Itália. Queremos nos comprometer no encurtamento das distâncias entre os italianos fora da Itália e as instituições, com ações concretas e com o objetivo de tornar todos os jovens protagonistas.