Em menos de quatro anos, “taxa da cidadania” rende à Itália em torno de 16 milhões de euros no Brasil

Quando este ano terminar, quase 16 milhões de euros – equivalentes a mais de 60 milhões de reais – é quanto os consulados italianos que operam no Brasil terão faturado com o reconhecimento de cidadanias por direito de sangue de ítalo brasileiros desde que a taxa de 300 euros sobre cada requerimento passou a ser cobrada, em 8 de julho de 2014.

A conta é decorrente de simples cálculo sobre os números divulgados na sexta-feira, durante reunião do Sistema Itália, em Brasília, na sede da Embaixada da Itália, com a presença dos presidentes de Comites – Comitati degli Italiani all’Estero e alguns conselheiros do CGIE – Consiglio Generale degli Italiani all’Estero.

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Os dados não são exatos porque não houve resposta, durante a reunião, a questionamento neste sentido feito pelo presidente do Comites do Recife, Daniel Taddone. Mas eles podem ser muito próximos da realidade, já que os consulados divulgaram, na oportunidade, a quantidade de registros (56.353) realizados desde o início de 2014 até o final de outubro último em todo o Brasil.

Ano a ano, o faturamento com a cidadania italiana no Brasil seguiu mais ou menos o seguinte quadro: 1.986.667,00 euros, equivalentes a cerca de R$ 7,5 milhões em 2014; 3.331.800,00 euros, equivalentes a R$ 12,7 milhões em 2015; 4.298.700,00 euros, equivalentes a cerca de R$ 16,4 milhões em 2016 e 6.213.320,00 euros (previsão), equivalentes a cerca de R$ 23,7 milhões em 2017. A conta se refere exclusivamente a processos de reconhecimento de cidadania italiana.

Como a cobrança foi iniciada somente em julho, e a estatística se reporta até o último dia de outubro, é apenas tirar a média, deduzindo da conta o período não cobrado no início e acrescentando, também pela média, a previsão dos dois meses faltantes deste ano.

Com base nos mesmos números fornecidos durante o encontro de Brasília chega-se, também, a outros dados interessantes. Fazendo as contas sempre pela média, percebe-se, por exemplo, um desnível muito grande na produtividade obtida em cada consulado.

Na área do reconhecimento da cidadania, consulados com menor número de funcionários, como os de Curitiba e Porto Alegre, estão obtendo percentuais bem mais elevados que os de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília.

É curioso observar que essa realidade também pode ser aplicada sobre os serviços de concessão de passaportes. Com apenas 14 funcionários atualmente, Porto Alegre e Curitiba lideram proporcionalmente tanto no processamento de pedidos de reconhecimento de cidadania, quando na expedição de passaportes.

O campeão absoluto nos dois quesitos é Porto Alegre: nos primeiros dez meses de 2017, é como se cada um de seus 14 funcionários tivesse realizado 339 reconhecimentos e emitido 410 passaportes, enquanto em São Paulo cada um de seus 43 funcionários tivesse conseguido realizar 122 reconhecimentos – menos da metade e emitido 305 passaportes. No outro extremo está Brasília, onde caberiam apenas oito processos (e 106 passaportes) para cada um de seus oito funcionários.