Embaixador Bernardini recebe manifestantes e critica os que buscam reconhecimento da cidadania italiana sem ao menos falar a língua

Terminou pouco após o meio-dia de hoje manifestação organizada a partir de uma rede social diante da Embaixada da Itália em Brasília em protesto “contra os péssimos serviços consulares oferecidos aos cidadãos ítalo-brasileiros”, principalmente, contra a “fila secreta” de interessados em obter o reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue.

A manifestação teve início por volta das 11 horas e cerca de trinta pessoas, segundo os organizadores, compareceram, munidas de faixas e cartazes. Uma delas reproduzia o mote da convocação (Embaixada da Itália em Brasília é 100!); outra pedia o “fim da fila secreta” enquanto outras faziam referência aos “cidadãos de série B” e aos direitos dos ítalo-brasileiros.

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Segundo o internauta Daniel Laguna, os manifestantes conseguiram breve diálogo com o embaixador Antonio Bernardini, que recebeu dois representantes, admitindo alguns problemas apontados mas afirmando que desconhecia que a “fila de Brasília era secreta”. Sobre a comunicação da Embaixada com os usuários, também segundo Laguna, Bernardini teria admitido que ele próprio tem dificuldade às vezes de se comunicar com outros setores da representação diplomática.

Laguna explica num vídeo postado no grupo FB “Contra as filas dos consulados italianos no Brasil” que a segurança da Embaixada foi acionada “mas não houve repressão; eles ficaram ali para garantir a segurança” e fizeram perguntas para constar em seus relatórios. “Considero – disse Laguna – a manifestação um sucesso diante das circunstâncias e o horário em que ocorreu”.

No encontro com os representantes dos protestantes, o embaixador Bernardini teria – segundo Laguna, que lhe dá razão – reclamado que muitos dos que buscam o reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue sequer conhecem a língua italiana. “Entendo o embaixador”, disse Laguna, recomendando a todos que se esforcem um pouco mais no estudo da língua e da cultura italiana, mas “nada disso é motivo para descumprir a lei”. “A fila secreta na Embaixada é ridícula, absurda e insustentável”, finalizou ele.

No setor de eventos do FaceBook fora criada uma página denominada “Manifestação na Embaixada da Itália”. Ali é possível ler que 37 pessoas participaram do ato de protesto que no apelo principal ironizava a ‘Embaixada 100’: 100 lista no site; 100 convocados; 100 informações claras sobre o processo; 100 respeito aos prazos de NR e Aire; 100 atender aos telefonemas; 100 responder os e-mails; 100 cordialidade”.

Noutro grupo do FB – o “Cidadania Italiana – Área Livre”, que reúne mais de 103 mil pessoas – o protesto diante da Embaixada também passou a ser debatido, principalmente as respostas que o embaixador teria dado aos interlocutores protestantes Christian Mantovani e Tania Borem. O internauta Renato S. Yamane (autor também de uma recente carta a todos os presidentes de Comites) rebateu: “ O embaixador tem problema mental? Com todo o respeito, mas: 1) Falta de recursos: mentira! O povo paga €300 referente à taxa da cidadania. 2) Fila secreta: Ele desconhecer isso, demonstra que ele não tem a menor noção do que ocorre logo abaixo do nariz dele. 3) Pessoas que não sabem italiano: Onde está a lei que diz que os requerentes precisam saber italiano? Ou seja, isso é apenas a opinião pessoal dele. Em contrapartida, a embaixada está desrespeitando diversas leis! (…) Ele não ficou nem vermelho quando disse essas asneiras?”

Outra manifestação do gênero está sendo organizada diante do consulado italiano de São Paulo para o dia 12 de outubro – um feriado. As críticas aos serviços consulares italianos no Brasil são antigas, mas passaram a aumentar de intensidade ultimamente, depois do início da cobrança (em 8 de julho de 2014) de uma taxa de 300 euros sobre cada pedido de reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue. A cobrança, instituída para gerar recursos extras aos consulados e, assim, melhorar o atendimento aos usuários, em nada melhorou os serviços desde então, segundo reconheceu recentemente o próprio embaixador Bernardini.

O documento entregue ao embaixador Antonio Bernardini por Christian Mantovani e Tania Borem está escrito parte em italiano e parte em português e, entre outras coisas, traça um paralelo entre as diversas formas de proceder entre os diferentes consulados italianos que operam no Brasil. “Desde julho de 2014 – assinala um trecho – os requerentes convocados pagam 300 euros no reconhecimento de cidadania, para investimento em pessoal e infraestrutura dos Consulados e término das filas. Não houve o repasse do governo italiano até então. Quando isso ocorrerá? O que os Consulados Italianos estão fazendo, na prática, para cobrar o valor que lhes é devido?”