Falece Venturotti, o italiano mais velho do mundo. Viveu 112 anos, sete meses e sete dias

Partiu para a eternidade Delio Venturotti, o italiano mais velho do mundo até os últimos minutos desse primeiro de maio. Segundo seus familiares, o falecimento ocorreu por volta das 23h35min da noite de quarta-feira, 01/06. “Papai partiu”, escreveu Delio Venturotti Filho à redação de Insieme no começo da madrugada de hoje. O supercentenário viveu 112 anos, sete meses e sete dias. Seu nascimento ocorreu 36 anos antes da proclamação da República Italiana, cujo 76º aniversário se comemora hoje.
Venturotti – conforme postamos em seguida em nossas redes sociais – estava internado desde a terça-feira da semana passada no Hospital de Caridade de Florianópolis, para onde foi levado sentindo “falta de ar” . Ele completaria 113 anos no dia 25 de outubro próximo e deixa viúva a esposa Dulcina, de cem anos de idade. Deixa os filhos Regina e Maria Dulce, Delio Filho e José (também conhecido por Toninho), além de cinco netos e três bisnetos.
Vindo para o Brasil com seu pai Luigi e família em 1913, Venturotti era natural da cidade de Calto, na província vêneta de Rovigo, cuja Prefeitura, há poucos dias, fornecera ao Consulado Geral da Itália em Curitiba documento para a certificação da idade e existência em vida pretendida pelo genealogista Daniel Taddone junto GRG – Gerontology Research Group, organização oficial de Gerontologia do Guinness World Records.
Venturotti aos 112, aos 100, e aos 30 anos em fotos cedidas pela família e, a última, do Arquivo Público do Espírito Santo.

Uma visita do cônsul geral, Salvatore di Venezia, estava prevista para o dia em que Venturotti foi levado ao Pronto Socorro mais próximo de sua casa, no interior da Ilha de Florianópolis. O supercentenário nunca se naturalizou brasileiro, nem estava inscrito em algum consulado italiano no Brasil, por isso, seria realizada também sua inscrição no AIRE – o cadastro geral dos italianos no exterior. Ele viveu parte de sua vida no Espírito Santo, em São Paulo e, desde 1991, em Santa Catarina.

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Muito religioso, Venturotti mantinha estreito relacionamento com o Pastor Milton Beuter, da Igreja Batista Pioneira de Florianópolis, à qual Venturotti vinculou-se desde que chegou à ilha. Visitando-o com frequência, o Pastor Milton manifestava esperança na noite de 28: “ele vai sair dessa. Hoje já acordou mais esperto, tomou banho, pediu que dia que era, tomou café… Pressão 12 x 8, apenas a respiração está fraca”.

O casal Delio e Lucina com as filhas Regina e Dulce e os filhos Delio Filho e José (atrás, conhecido por Toninho). Embaixo, na grama, a neta Juliana. Em 1992. (Fotos cedidas pela família)

No final da semana que passou, Venturotti foi homenageado em seu quarto e a pedido do hospital, por uma equipe do Cibsc – Círculo Ítalo Brasileiro de Santa Catarina. Ao ouvir a interpretação da canção “Non ho l’età” (Gigliola Cinquetti),” tivemos a sensação de um leve sorriso pareceu estar emocionado”, disse Alessandra Carioni, vice presidente do Cibsc.

O vídeo que acompanha esta matéria foi editado a partir de entrevista realizada pela filha Maria Dulce poucos dias antes de Venturotti ser internado no hospital, de onde, infelizmente, não voltou com vida. Foi um ensaio para uma entrevista maior que já estava combinado com a família. 

As exéquias ao supercentenário Delio Venturotti tiveram início às 11 horas e o sepultamento será às 13h30min, no cemitério Itacorubi.

Novembro de 2008: brincando com os netos Paulinho, Juliana e Gabriel. (Foto cedida pela família)