Piacentini: Mais de 2 mil mortos é um número gigantesco para um país como a Itália. Reclusão entra na segunda semana; esperança de declínio do vírus em dez dias

421

Governo libera médicos recém-formados para o trabalho imediato, dispensando a especialização. Toda força no combate à pandemia


Os italianos têm consciência de que deverão esperar ainda alguns dias, talvez mais uma semana ou dez dias, para começar a perceber o declínio da curva estatística que mede a progressão do coronavírus Covid-19 em toda a Península. Sempre mais a população está disposta a cumprir as regras impostas pelo governo, diz em tele-entrevista Claudio Piacentini, o tradutor da revista Insieme, que mora em Varazze, na Ligúria.

“Que eu não vejo meus amigos – diz Claudio – já faz mais de uma semana. Nós nos comunicamos e até brincamos, damos risadas, pela internet, para descontrair um pouco. O moral parece que está bom, apesar de algum susto com casos de simples gripe… Dia-sim, dia-não, alguém aqui de casa vai fazer algumas compras. É tudo: a ordem é ficar em casa”.

PATROCINANDO A SUA LEITURA

Segundo Piacentini, a sociedade entendeu que a questão é muito séria. As medidas tomadas no âmbito econômico e em outras áreas também estão sendo bem aceitas, incluindo uma que acaba de permitir que os estudantes de medicina passem a exercer a profissão já com a simples conclusão do curso, sem a necessidade da especialização. “Isso tem o objetivo de suprir a necessidade urgente de pessoal médico nesta hora”, explica Piacentini.

Para ele, o número de mais de dois mil mortos “é um número gigantesco para um país como a Itália, desenvolvido no campo da saúde e do bem-estar social. Ele volta a observar que o Brasil, que “está 15 dias atrás da Itália” na guerra contra o vírus, precisa ter a coragem de tomar as medidas drásticas que tem que tomar agora, para depois não ficar pior. Veja o vídeo.