Claudio Piacentini faz um relato dramático da situação na Itália. E compara o momento com aquele da II Guerra Mundial

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”É um evento que, de qualquer forma, irá unir de novo o povo nos bons sentimentos”. “Tutto andrà bene”, é a campanha nacional.


 

A Itália está vivendo uma situação comparável àqueles dias da II Guerra Mundial, segundo Claudio Piacentini, que alterna residência entre Roma e Varazze – uma cidade com cerca de 15 mil habitantes, na província lígure de Savona. “Nos dias de guerra, nossos pais e avós se refugiavam das bombas; não é igual, mas hoje estamos todos em casa para evitar a propagação do vírus”, disse ele, acrescentando que a situação é sem precedentes, “muito crítica”. Foi só nos últimos dois ou três dias que as pessoas passaram a entender que a situação é, mesmo, de extrema gravidade, disse ele.

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Tradutor da Revista Insieme há pelo menos 15 anos, Piacentini chegou a se emocionar quando passou a narrar os gestos de solidariedade que a situação está propiciando. Poucos momentos antes da entrevista, no final da tarde, as pessoas foram convidadas a irem às janelas para “tocar algum instrumento musical, violão, trompete… ou mesmo bater panelas”, num “momento um pouco para agregar”, já que ninguém pode sair de casa a não ser para necessidades básicas e, mesmo assim, sob o controle da polícia.

Segundo Piacentini, um lado positivo disso tudo é o fato que já vem se verificando: as pessoas passaram a manifestar mais solidariedade, mais amor pela própria Itália. “Isso até os psicólogos estão dizendo”, observa ele.”É um evento que, de qualquer forma, irá unir de novo o povo nos bons sentimentos”. Numa campanha nacional, todo mundo aderiu a uma espécie de “comando da esperança”, com a frase: “Tutto andrà bene” (tudo ficará bem), com as cores do arco-íris ou da bandeira da Itália.

O tradutor, que opera também na área do turismo e conhece muito bem o Brasil e também os brasileiros deu sua opinião sobre o que está ocorrendo no Brasil, pedindo que as pessoas procurem fugir de aglomerações. Sua filha Clara, pouco antes da entrevista, fazia suas lições escolares pela internet, pois desde fevereiro a escola está fechada e assim permanecerá, provavelmente, até a Páscoa.

Na tele-entrevista, Claudio Piacentini comenta as repercussões e ingentes consequências econômicas que a crise provocará sobre todos os setores da economia italiana. “Ficaremos muito tempo lambendo as feridas”, disse ele, “mas agora a preocupação é como sair dessa”. “Nunca passamos por um momento tão crítico desde a II Guerra Mundial. A maioria das pessoas viventes atualmente na Itália nunca passou por um momento tão trágico como esse, e do qual estamos pensando em sair dentro de uns 15, 20 dias”. Mesmo aquelas atividades que a lei permite funcionar, fecham no final da tarde e as pessoas precisam demonstrar por que andam nas ruas.

Veja o relato que Claudio Piacentini faz nesta tele-entrevista, em que contrapõe a alegria e expansividade do povo italiano: “Sem dúvida alguma, nunca será mais como era até dois meses atrás”.