Porta rebate ‘mentiras e ofensas gratuitas’ de Gazzola e argumenta sobre a origem dos recursos. Acabar ou bem usar o fundo consular

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“Chega de mentiras e de ofensas gratuitas”, responde o ex-deputado Fabio Porta (PD) ao ítalo-argentino Mariano Gazzola, coordenador para a América Latina do Maie – ‘Movimento Associativo Italiani all’Estero’. “Diante de uma crítica dura mas educada (…) vem essa “costumeira resposta repugnante e ofensiva”, diz Porta ao ironicamente pedir desculpas ao “ventríloco do Maie” por “apenas ter argumentado politicamente sem descer para o campo das ofensas”.

No último dia 24, Gazzola fez duros ataques a Porta depois que o ex-parlamentar, em entrevista concedida a Insieme, analisou problemas ligados à rede consular italiana, que estaria, segundo ele, devolvendo dinheiro aos cofres romanos sem melhorar os serviços prestados à comunidade italiana, especialmente no Brasil. Porta se referia à necessidade de fiscalizar o emprego de parte dos recursos originados com a chamada “taxa da cidadania”, que obrigatoriamente devem ser devolvidos à origem para a melhoria dos serviços consulares.

“Porta não é capaz de dar lições a ninguém – escreveu Gazzola – pois “depois da destruição levada a cabo por ele e seu partido em direção ao sistema italiano no mundo, ele só deveria ter a dignidade de ficar quieto”. O ítalo-argentino enumerou diversas ações do atual governo em favor dos italianos no exterior que, segundo Porta, só estão sendo possível devido a previsões orçamentárias já existentes.

“Depois de Pinto e de Petruzziello, agora é outra vez Gazzola a se prestar ao serviço de ventríloco do Maie que, em forma de rodízio, usa seus homens para disseminar ‘fake news e espalhar venenos e maldades”, diz a nota de Fabio Porta, tornada pública através da agência noticiosa italiana Aise. A seguir, Porta enumera essas maldades:

Como primeira – diz – “não é verdade que este governo tenha destinado os 50 milhões para a promoção da língua e cultura italiana, nem que tenha sido esse governo que pela primeira vez, depois de anos, tenha predisposto a contratação de centenas de empregados junto aos consulados, e tanto menos que tenha sido os governos comandados pelo PD que fecharam alguns consulados. Ocorreu exatamente de forma contrária. Os 50 milhões para a língua e cultura foram previstos pelos governos do PD, exatamente com a lei orçamentária de 2017, que instituiu um fundo com 150 milhões, no total, para o triênio 2018/2021, dos quais 50, exatamente, para 2019. E foi sempre o governo do presidente do PD Gentiloni que decidiu criar 300 novas vagas para a contratação de pessoal no Ministério das Relações Exteriores, pela primeira vez (isso sim!) depois de anos de impedimento de novas contratações”.

“Quanto ao fechamento dos consulados, quero lembrar que elas foram decididas – aduz Fabio Porta – durante o governo técnico de Monti, apoiado pelo Maie, enquanto foi exatamente o governo comandado pelo PD de Gentiloni que decidiu pela reabertura de nossa Embaixada em Santo Domingo, na sequência inaugurada pelo subsecretário Merlo”.

“Sobre isso – continua explicando Fabio em sua nota – quero lembrar que, também graças ao meu empenho pessoal e dos colegas do PD, nenhum consulado foi fechado na América do Sul, embora alguns fechamentos estivessem previstos pelo plano apresentado pela ministra Emma Bonino, das Relações Exteriores do governo Monti”. E continua: “Se hoje o subsecretário Merlo inaugurou a nova sede do Consulado do Recife, é exatamente graças àquele meu compromisso de então, como sabem muito bem os amigos do Comites do Recife; a mesma coisa posso afirmar em relação aos consulados de Maracaibo, Moron e Lomas de Zamora, relacionados naquela lista”.

“E chegamos, enfim, à mão de todas as batalhas do Maie, o ‘fundo para a cidadania’ instituído graças a um projeto meu que prevê a transferência aos consulados de 30% dos recursos obtidos com os pedidos de reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue”, segue a nota de Porta, para assegurar: “Aqui a confusão de Gazzola e dos amigos do Maie é grande e reina soberana. De uma parte, de fato, eles continuam a condenar e a atacar a ‘taxa da cidadania’ e aqui não se entende porque não decidem, de uma vez por todas, eliminá-la (uma vez que estando no governo poderiam muito bem fazer isso); de outra, são eles próprios a definí-la como importante para os países da América do Sul, como o próprio subsecretário Merlo tem declarado diversas vezes, agradecendo o PD por tê-la instituído”.

“Repito – diz Porta – ou o Maie se compromete a eliminar essa contribuição ou, se a entende importante, se comprometa a bem utilizá-la para as finalidades com que foi instituída, isto é, a eliminação das longas filas de espera e a melhoria dos serviços consulares”.

O ex-parlamentar conclui a nota pedindo desculpas “se desenvolvi raciocínios políticos e não desci para o campo das ofensas”. Na sequência de minha não eleição para o Parlamento foram, de fato, exatamente o senador Merlo e o deputado Borghese a emprestarem solidariedade a mim contra as fraudes eleitorais ocorridas na Argentina e a lamentarem a minha injusta ausência no Parlamento; eu pensava que também o amigo Gazzola pensasse assim, mesmo que, lendo suas declarações, devo infelizmente reconhecer que eu estava errado. Mas isso é mais forte que eu: eu não consigo dizer que hoje o CGIE ‘ficaria mais feliz sem alguém como ele’. Eu continua a respeitá-lo, eu sou assim”.

Para ver o comunicado de Porta em língua italiana, clicar aqui: