Presidente Mattarella revoga cidadanias italianas obtidas de forma corrupta. Caso de Roma envolveria 1.500 processos

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Seis pessoas presas de forma cautelar e outras 19 se encontram sob investigação com o estouro de outra organização criminosa que atuava em Roma na concessão de cidadania italiana a estrangeiros de forma fraudulenta. A notícia, divulgada hoje (20/05) pela agência Ansa, reporta que o presidente da República, Sergio Mattarella, assinou os primeiros decretos que revogam as cidadanias falsas que, no total, atingiriam 1.500 processos.

No comando do esquema estava uma funcionária do próprio Ministério do Interior, lotada no Departamento de Liberdades Civis e Imigração, onde ocupava o cargo de assistente de informática e que já foi condenada a quatro anos e oito meses de reclusão, além do confisco de 49 mil euros. Segundo a agência italiana de notícias, entre os investigados por corrupção está também o marido da funcionária pública e um advogado do Foro Romano. A agência não explica se se tratava de cidadanias por direito de sangue.

A operação, coordenada pela Procuradoria da República, de Roma, e conduzida pelos investigadores do Serviço de Polícia Postal, foi batizada de “Codice K10” e foi concluída – segundo informa a Ansa – recentemente com a assinatura, por parte do Presidente da República, dos primeiros decretos de revogação da cidadania italiana que tinha sido conferida através do sistema fraudulento, atendendo a pedido do Ministério do Interior.

A agência não cita se entre os beneficiados pelo esquema estão brasileiros ou sul-americanos. Ao descrever o ‘modus operandi’ do bando, diz, sem citar nomes, que entre os presos está também um cidadão egípcio e que foram sequestrados 135.000 euros provenientes da atividade criminosa do grupo que se dedicava “à corrupção para a entrega da cidadania italiana”.

O cerco policial sobre esquemas irregulares de assessoria montados para atender à demanda pela cidadania italiana na Itália já levou muitas pessoas à cadeia, além de frustrar muita gente que viaja para a Itália depois de desistir das “filas da cidadania” diante dos consulados. A imprensa italiana tem noticiado com frequência novos casos que envolvem também funcionários públicos corruptos que aceitam dinheiro para favorecer a atividade de intermediários Na semana passada, o tema foi objeto de uma reunião envolvendo altas esferas do governo e, inclusive, integrantes do Parlamento. Nada foi divulgado, entretanto, sob a alegação de que as investigações correm sob sigilo absoluto.