Taddone critica Porta: “Escolha intelectualmente pouco honesta”. E diz que fechamento de agências honorárias oficializa a realidade fática


“A que serve ter uma agência de fantasia que só existe numa lista no website do consulado mas não atende ninguém?


“Explorar politicamente um ato que apenas oficializa a realidade fática da inexistência de postos honorários não é uma atitude que torna mais sadio o ambiente político da nossa comunidade”. Assim termina uma nota do presidente do Comites do Recife, sociólogo Daniel Taddone, ao criticar outro sociólogo – o ex-deputado Fabio Porta – por seu pronunciamento há pouco tornado público sobre o fechamento de 27 agências consulares honorárias, seis delas no Brasil.

Taddone, que integra o ‘staff’ do Maie – ‘Movimento Associativo Italiani all’Estero‘ no Brasil qualificou a crítica de Porta como uma “escolha intelectualmente pouco honesta”: “O ex-deputado Fabio Porta sabe os motivos desses fechamentos, mas faz de conta não saber, para poder fazer o “spin” (distorção) na notícia e obter um fato político. Esse “spin” é fruto de uma escolha intelectualmente pouco honesta. Eu sei que isso faz parte do jogo político, mas me decepciona igualmente”.

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O ex-deputado Fabio Porta condenou o fechamento das agências mas, segundo Taddone, “a que serve ter uma agência de fantasia que só existe numa lista no website do consulado mas não atende ninguém?” Para ele, entre aos 27 postos honorários fechados oficialmente agora, somente três parecem ter razões de efetivamente existir: Chapecó e Cincinnati e Nashville (estes dois últimos nos Estados Unidos). Eis, na íntegra, a nota encaminhada à redação de Insieme por Daniel Taddone:

“Tenho enorme respeito pela pessoa e pelo seu trabalho do ex-deputado Fabio Porta. Divergimos em algumas coisas, convergimos noutras. Embora eu faça parte do Maie, não sou do tipo de ter fidelidade canina a nenhum movimento político e a ninguém. A questão do uso dos recursos da taxa da cidadania são uma crítica absolutamente legítima ao Maie na atualidade. Já disse isso ao subsecretário Ricardo Merlo em conversas “telemáticas” e pessoalmente. As pessoas querem respostas e elas não vêm. A mim incomoda, e muito.

Todavia, escrevo esta pequena resposta para falar da questão das agências consulares honorárias fechadas por ato do Ministério de Relações Exteriores da Itália (Maeci) na data de ontem, 21 de janeiro de 2020. O ex-deputado Fabio Porta sabe os motivos desses fechamentos, mas faz de conta não saber, para poder fazer o “spin” (distorção) na notícia e obter um fato político. Esse “spin” é fruto de uma escolha intelectualmente pouco honesta. Eu sei que isso faz parte do jogo político, mas me decepciona igualmente.

Foram fechadas 27 agências consulares honorárias. A primeira distorção é fazer crer ao leitor que foram fechados consulados e logo vem à mente do cidadão um consulado que funciona diariamente recebendo dezenas de pessoas que de uma hora para a outra foi fechado. A segunda distorção é esconder do cidadãos que os postos honorários fechados não funcionavam há mais de cinco anos, ou seja, não havia agência consular nenhuma. Nem prédio, nem responsável, nada. Eram “agências honorárias fantasmas”! Das 27 fechadas, oito delas nunca funcionaram, nem mesmo por um dia!

Das 27 agências fictícias oficialmente encerradas, várias delas “existiam” em locais sem qualquer justificativa de exigência, onde praticamente não há italianos e nem interesses italianos na área, sem contar a proximidade com uma representação diplomático-consular de carreira.

E é importante repetir: nenhuma dessas agências estava ativa. Eram todas “ficções”. A que serve ter uma agência de fantasia que só existe numa lista no website do consulado mas não atende ninguém?

Entre aos 27 postos honorários fechados oficialmente agora, somente três parecem ter razões de efetivamente existir: Chapecó e Cincinnati e Nashville (estes dois últimos nos Estados Unidos). Nas outras localidades bastaria, se tanto, haver um correspondente consular honorário, que não precisa ter sede física oficial.

O fechamento dessas agências honorárias fictícias não é culpa do Maie, do PD, do M5S ou de qualquer outro partido ou movimento. Explorar politicamente um ato que apenas oficializa a realidade fática da inexistência de postos honorários não é uma atitude que torna mais sadio o ambiente político da nossa comunidade”.