Fila da cidadania: Protesto diante do consulado de SP terá caravanas do interior

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Os cartazes convocatórios do protesto referem os 300 euros, cobrados já há mais de três anos sobre cada pedido de reconhecimento da cidadania pelo governo italiano. (Reprodução)

Das 11 às 13 horas do dia 12 de outubro próximo – um feriado – haverá protesto em frente ao Consulado Geral da Itália de São Paulo. “300 euros: chega de desculpa, a fila da cidadania tem de andar!” diz o apelo dos organizadores, publicado em diversos grupos de discussão do FaceBook.

A mensagem é “para quem está indignado com essa fila desrespeitosa, para quem não está satisfeito com o atendimento do consulado [italiano], para quem quer ajudar a melhorar essa situação vergonhosa”, escreveu a internauta Neili Dalla Rovere, num dos compartilhamentos do evento.

O protesto está sendo capitaneado pelo presidente do Comites – Comitato degli Italiani all’Estero do Recife, Daniel Taddone, que já foi funcionário do consulado de SP e também do Recife. No recente encontro do Intercomites em Curitiba, ele rebateu declarações da deputada Renata Bueno, dizendo que, diferentemente dela, “nós queremos a guerra porque as filas, os abusos dos consulados, devem acabar de uma vez por todas”.

Ao lado do “prenota online” para o agendamento dos passaportes, as chamadas “filas da cidadania” constituem, há muito tempo, o principal problema dos ítalo-brasileiros que são constrangidos a aguardar longos anos nas filas de espera, em alguns casos chegando a 12 anos, como em São Paulo.

O governo italiano passou a cobrar 300 euros para cada pedido de reconhecimento da cidadania por direito de sangue em 8 de julho de 2014. Esse recurso extra, que deveria ser empregado na melhoria dos serviços, até agora não mudou em nada o panorama dos “enfileirados”.

Uma lei define que pelo menos 30% desses recursos deveriam estar sendo devolvidos aos consulados desde o início deste ano, para aplicação específica no combate às filas da cidadania. Anúncio após anúncio, o tempo passou e o dinheiro até agora não chegou.

Segundo Taddone, ônibus especiais estão sendo organizados para conduzir protestantes a se juntarem aos manifestantes de Sao Paulo, com partida de Campinas, Jundiaí, Sorocaba e provavelmente também de cidades de outros Estados, como Curitiba. Embora o feriado nacional, os consulados italianos trabalham nesse dia. A data foi escolhida por facilitar a ida de mais pessoas.

A manifestação não leva o timbre de nenhum partido ou movimento, mas “todos os que quiserem participar, inclusive partidos e movimentos políticos de qualquer coloração política, serão bem-vindos” diz Taddone que anuncia, para depois da manifestação diante do consulado, “um pequeno evento nas dependências do Círculo Italiano” de São Paulo, onde cabem, no máximo, cerca de 250 pessoas .

Embora Taddone seja presidente de um deles, os Comites não foram formalmente convidados para o evento. “O papel dos Comites é ambíguo e os consulados em geral só os consideram cerimonialmente”, diz Taddone. Na manifestação realizada no começo de junho em toda a América Latina pelo Maie – “Movimento Associativo Italiani all’Estero” contra o desmantelamento dos consulados italianos, houve muita polêmica e inclusive ataques de alguns presidentes de Comites aos promotores dos protestos.

O evento criado no FaceBook assim informa sobre as motivações do protesto: “Esta manifestação de caráter totalmente pacífico tem o objetivo de chamar a atenção da comunidade ítalo-brasileira para a ilegalidade das longas filas de espera para o reconhecimento da cidadania italiana. O reconhecimento é um direito garantido pelas leis e não um presente pelo qual se pode esperar absurdos doze anos sem reclamar.

Até 2014 havia a desculpa da falta de recursos para a contratação de pessoal, mas desde então cada requerente paga 300 euros (cerca de R$ 1.200,00) pelo reconhecimento da cidadania. Portanto, nestes mais de três anos foram arrecadados milhões de euros sem que nem um mísero centavo voltasse aos consulados para que mais funcionários fossem contratados.

Chegou a hora de descruzar os braços e protestar! O prazo máximo previsto em lei é de 730 dias. Não é aceitável esperar doze para ter um direito reconhecido! Faça sua voz ser ouvida, venha manifestar seu descontentamento conosco no feriado de 12 de outubro (quinta-feira) às 11 horas ao lado do Conjunto Nacional. Teremos também algumas atividades durante a manifestação”.

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