Merlo, nomeado para o novo governo italiano, diz que “Ius soli” está fora da ordem do dia. Poderá responder pela América do Sul e pelos italianos no mundo

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O senador Ricardo Merlo em foto de 2013, na sede do Círculo Italiano de SP. (Foto Desiderio Peron / Arquivo Revista Insieme)

“Estou muito contente e emocionado… a primeira coisa que me vem à mente para os ítalo-brasileiros é que, enquanto estivermos no governo, o “ius soli” não estará na ordem do dia. Esta é a primeira mensagem que dirijo a todos os ítalo-brasileiros”. Assim falou o senador Ricardo Merlo, eleito na América do Sul ao Parlamento Italiano pelo Maie – ‘Movimento Associativo Italiani all’Estero’, momentos após ser nomeado, no final da tarde de hoje, “Sottosegretario agli Esteri” do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional, cujo titular é Enzo Moavero Milanesi.

Merlo agradeceu “a todos os concidadãos e especialmente os que trabalharam no exterior para construir esta força política que agora chega ao governo”. O parlamentar – ao contrário do que geralmente ocorre no Brasil – não terá que deixar o cargo de senador.

Perguntado sobre o que a nomeação significa para ele, pessoalmente, Merlo disse que isso o fez lembrar de seu pai, “e como ele teria recebido essa notícia se estivesse vivo… uma coisa incrível… um emigrado italiano que chegou na Argentina sem um dinheiro no bolso e cujo filho, agora, chega nesse nível. Isso me emociona e me faz pensar muito nele. Falei com meus irmãos sobre isso”.

Merlo, que prestará juramento na tarde dessa quarta-feira, foi nomeado juntamente com inúmeras outras pessoas para funções que completam o alto escalão do novo italiano. Também foi nomeado “sottosegretario agli Esteri” o deputado leguista Guglielmo Picchi, eleito na Itália nas últimas eleições mas que, anteriormente, fora eleito por três legislatura pela área da Europa. Também foram nomeados na mesma função o deputado Manlio Di Stefano e a professora Emanuela Del Re.

As delegações ou funções específicas de cada um dos novos nomeados serão atribuídas em seguida, talvez ainda esta semana ou início da próxima. É bem provável que Merlo seja encarregado para os italianos no exterior e, em especial, para a área da América Latina.

O parlamentar ítalo-argentino e fundador e presidente do Maie foi um dos primeiros a declarar-se publicamente favorável ao novo governo italiano, formado por uma composição entre o partido da “Lega” e o “Movimento 5 Stelle”, assim que seus líderes Matteo Salvini e Luigi Di Maio assinaram o “contratto di governo” contendo compromissos para com os italianos no exterior, como o reforço da rede consular, a reforma da legislação dos Comites e CGIE, apoio à difusão da cultura e língua italianas e, também, a reformulação do sistema de voto no exterior.

O coordenador do Maie no Brasil e ex-candidato a deputado nas últimas eleições, o advogado Luis Molossi, instado por Insieme, assim se pronuncia a respeito da nomeação de Merlo: “Depois de dez anos de trabalho por uma causa, creio que tenha chegado o momento de ter motivos para colher resultados. E, seguramente, o nosso presidente conhece bem a realidade no Exterior. Porém, veremos qual será sua função disponível. Não acredito em milagres”.

O ex-presidente do Comites – ‘Comitato degli Italiani all’Estero’ do Recife, Salvador Scalia, perguntou: “Virão mudanças na rede consular italiana da América do Sul?”. “O que eu espero – disse Scalia – é mudança de atitude em relação aos descendentes, e que o senador Merlo busque implementar o programa do Maie nessas eleições: Investimento na rede consular, consulados eficientes e uma política de fato para os italianos do exterior”.

Segundo consta do site do próprio Maeci, os vice-ministros e sobsecretários colaboram com o ministro que lhes pode delegar algumas funções ou competências específicas. “Os vice-ministros e subsecretários dispõem de secretarias que cuida, da coordenação dos compromissos, correspondência e relações pessoais com outros entes públicos e privados”.