Nova diretoria do Comvesc marca posse festiva para o dia 11, mas diretoria deposta resiste

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O engenheiro Roberto Eder Brolese, presidente do Comvesc (Fotograma litoralsultv)

Um jantar agendado para o próximo dia 11 de agosto, em Criciúma, marcará a posse festiva da nova diretoria do Comvesc – Comitê das Associações Vênetas do Estado de Santa Catarina, presidida pelo engenheiro civil Roberto Eder Brolese, cuja legitimidade continua sendo contestada pela diretoria presidida por Fabiola Cechinel, cujo mandato encerrou em abril. “Não vamos polemizar – diz Brolese -, vamos trabalhar para ampliar o quadro do Comvesc, dando-lhe um sentido mais plural e menos personalístico”.

A assembleia que elegeu a nova diretoria, realizada no início de junho, considerou extinto mandato de Cechinel que, entretanto, não se considera deposta e convocou reunião das associações em Florianópolis, no último dia 15, oportunidade em que formulou proposta para a solução do impasse: que a diretoria de Brolese fosse considerada transitória (mandato tampão), com prazo até o final do ano, durante o qual deveria promover a alteração do estatuto da entidade ampliando o quadro social e realizar novas eleições com a participação de “todas as associações vênetas do Estado”. O prazo de alguns dias para a resposta, segundo ela, não veio, e agora Cechinel anuncia que irá contestar judicialmente a eleição de Brolese.

Fabiola Cechinel, enquanto recebe a honraria da “Ordine della Stella della Solidarietà Italiana”, no grau de “Cavaliere” (Foto perfil Facebook)

Sem acordo aparente, a sorte do Comvesc deverá depender, assim, de uma decisão judicial que ambas as partes afirmam estarem confiantes de obter. “Vamos entrar sim [na justiça]”, afirma Cechinel dois dias após ter sido agraciada com o título de “Cavaliere” da República Italiana, durante curta cerimônia realizada pelo cônsul italiano Raffaele Festa em um hotel, em Florianópolis, na segunda-feira que passou. “Temos 10 associações descontentes” e “não reconhecemos a eleição deles”.

Cechinel adianta que mais detalhes serão revelados “na próxima semana”, mas “posso garantir que o Comvesc continuará forte e com muito trabalho a ser feito ainda – pois terá uma diretoria que representará todo o Estado”.

Da parte da diretoria presidida por Brolese, a estratégia tem sido ignorar a polêmica e também as propostas de Cechinel, que simplesmente “esqueceu-se de convocar eleições” ao término de seu mandato, desrespeitando o estatuto da entidade que pretende continuar à frente. Há também a acusação de falta de prestação de contas, dívidas a pagar, coisa que Cechinel rebate dizendo que “na hora certa e para a diretoria legalmente eleita, tudo será entregue”, embora seu atual tesoureiro seja o mesmo que foi eleito tesoureiro na diretoria de Brolese.

Orientada por advogados, Cechinel assegura que “o trabalho deles será provar que fizeram a coisa certa”. Segundo Brolese, isso não aconteceu do outro lado, isto é, Cechinel descumpriu o estatuto e foi formalmente deposta nos termos previstos pelo estatudo em vigor. “Nos festejos dos 140 anos [da imigração italiana no Sul de SC] o mandato dela já tinha acabado e ela não podia mais apresentar-se como presidente da entidade”, observa o engenheiro.

Polêmicas sobre a formação e funcionamento do Comvesc sempre existiram desde o início, quando representantes da Região do Vêneto sugeriram a formação de órgãos de representação das diversas associações vênetas em cada Estado – uma forma de simplificar o diálogo que vinha sendo travado “no varejo” com inúmeras entidades ítalo-brasileiras. A própria Cechinel assumiu durante um “racha” havido entre os grupos e correntes que até hoje não se entendem. Tanto ela, quando Brolese agora apontam para a necessidade de filiação de associações que historicamente têm ficado à margem do processo, sempre mais voltado para aquelas estabelecidas no Sul do Estado de Santa Catarina.

Enquanto o impasse político continua, entretanto, Brolese assegura que já obteve o reconhecimento – e também os cumprimentos e felicitações – de representantes institucionais da comunidade italiana da própria Região do Vêneto, às quais comunicou formalmente sua eleição durante assembleia convocada, nos termos do estatuto vigente, por entidades associadas com direito a voto e que declararam a perda formal do mandato de Chechinel.

Segundo Brolese, nas alterações estatutárias em estudo, além da admissão de todas as associações vênetas do Estado (anteriormente era exigido o registro delas na Região do Vêneto) está a inclusão clara de impedimento de acesso a cargos e funções a pessoas que não tenham origem italiana ou, mais especificamente vênetas, numa clara referência ao ao fato frequentemente ventilado sobre as origens de Cechinel, cujo sobrenome ela herda do marido.

“Estamos bem tranquilos, já estamos trabalhando e nosso objetivo não é polemizar; reconhecemos os méritos de quem trabalha ou trabalhou pela italianidade, mas vamos impor um novo estilo mais plural, agregador e menos personalístico à frente do Comvesc”, assegura Roberto Brolese.