Representação que não nos representa

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Imagem de página do jornal "Gazeta de Piracicaba" com o anúncio da candidatura de Longo. (Reprodução)

Relutei a me manifestar publicamente sobre a candidatura do ex-senador e deputado italiano votado pela circunscrição da América do Sul, Fausto Longo, mas creio que todos os que vivem a comunidade italiana especialmente no Brasil com toda a sua problemática deveriam se sentir atônitos com tal posição tomada pelo “Onorevole”.

Desde sempre fui crítico do seu mandato como senador por simplesmente não ter alguma posição sobre tema algum, nos famosos moldes “político sabonete”, mas obviamente ele tem o direito de assim ser e teve votos para tal.

Não discutirei aqui a modalidade quase imoral de votação a que os italianos no exterior são obrigados a se submeter pois penso seja consenso que este modelo deva ser reformado. Porém, depois de um processo eleitoral no qual tentamos dar um pouco de luz ao debate realizado em conjunto com a TV Câmara, revista Insieme e Intercomites, do qual o próprio Longo sequer participou para expor seus projetos e suas realizações como Senador, imaginar que poucos meses após assumir o mandato como representante de uma comunidade com tanto a se fazer ele a use como trampolim para tentar uma eleição à Câmara dos Deputados no Brasil, ignorando seu dever com os que nele depositaram o voto e a confiança, nos faz pensar qual o tipo de representação temos e a que queremos.

Infelizmente, o modelo eleitoral que nos é imposto tende a dar poder a oportunistas que, usando o poder de instituições como a Fiesp ou de partidos políticos nacionais para usurpar de posição que fora pensada para verdadeiros representantes das comunidades e dar voz a estas, o que infelizmente não ocorre.

Segundo Longo, ele quer ir a Brasília criar uma nova constituição.Vindo de alguém que não conseguiu fazer um projeto sequer na Itália como Senador, me pergunto o que ele teria a contribuir por essas bandas de cá!

O poder econômico e a velha política brasileira/sulamericana se inseriu dentro de um sistema que infelizmente não representa absolutamente ninguém. Replicamos na Itália o que desprezamos no Brasil.

Diego Mezzogiorno é Conselheiro da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de SC

Reprodução de página do “Jornal de Piracicaba”.