Merlo: investir nessa Itália fora da Península é uma oportunidade, não um custo. É preciso mudar a visão

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“Temos necessidade de investir recursos no “Sistema Itália no Exterior”. Em tudo aquilo que signifique “italianos no exterior” e “Itália no exterior”. Para a Itália isso é uma oportunidade, não um problema. É necessário mudar a visão”. Quem assim pensa e diz é o deputado ítalo argentino Ricardo Merlo, ao observar que, nos últimos anos, o governo italiano cortou recursos para diversos setores de interesse dos italianos no exterior, incluindo língua, cultura e “Made in Italy”.

“Nesses cinco anos de governo do PD – Partido Democrático, cortaram continuamente também os recursos para as Câmaras de Comércio”, observa o parlamentar, em entrevista concedida à revista Insieme no início de dezembro último, antes da dissolução do Parlamento.

Merlo, que é candidato ao Senado nas próximas eleições pelo Maie – ‘Movimento Associativo Italiani all’Estero’ que fundou e preside, lamenta que o PD, mesmo tendo nove parlamentares eleitos no exterior, colocou como responsável pelos italianos no exterior no Maeci – Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional alguém que, embora pessoa de bem, não entende do assunto e “mora em Roma”. Ela ganhou uma “bolsa de estudos”, ironiza o parlamentar.

Ainda segundo Merlo, que é crítico histórico contra os cortes de recursos destinados aos consulados italianos, “nós gostaríamos de aumentar também os recursos para a língua e para a cultura”. Isso “não é uma despesa”- diz ele – e, sim, “um investimento”, que depois volta para a Itália com  “mais turismo de retorno, maior consumo do ‘Made in Italy”. Confira o que ele diz na entrevista contida neste vídeo exclusivo.

“Nós apresentamos uma proposta na última “Lei de Estabilidade” (Orçamento) que não foi aprovada. Nós gostaríamos de aumentar também os recursos para a língua e a cultura, porque aquela não é uma despesa para o Estado. É um investimento. O problema é que não existe vontade política. Isto é, este governo, esta maioria, além de instituir uma taxa para a cidadania, de pretender limitar a transmissão do direito à cidadania, cortou recursos para a promoção da língua e da cultura italiana”.

“Dessa forma, a Itália não vai pra frente. Eles não entendem o que significa, também para a economia italiana, investir sobre a língua e sobre a cultura italiana. Porque depois há mais turismo de retorno, maior consumo do “Made in Italy”… Isto é, aquele é um investimento. É necessário aumentar os recursos. Temos necessidade de investir recursos no “Sistema Itália no Exterior”. Em tudo aquilo que signifique “italianos no exterior” e “Itália no exterior”. Para a Itália isso é uma oportunidade, não um problema.”

“É necessário mudar a visão. Em nossa visão, isso para a Itália é uma oportunidade, não um custo. Olhem, nesses cinco anos de governo, cortaram continuamente também os recursos para as Câmaras de Comércio. Não há uma política para o “Made in Italy”, não há uma política para os italianos no exterior. Eu aprecio quem está no cargo de Subsecretário para os Italianos no Exterior neste momento, é um colega, uma pessoa do bem. Mas, verdadeiramente ele conseguiu uma “bolsa de estudos”, porque ele não é um entendido [no tema]. O PD, tendo nove [parlamentares] eleitos no exterior, quem ele coloca como Subsecretário para os Italianos no Exterior? Um que vive em Roma. Creio que isso, por si só, se explica!”