Após duas renúncias,  Molossi assume presidência do Comites PR/SC: E promete “ações para melhorar a vida dos italianos na circunscrição”

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Duas renúncias, eleição de novo presidente, e uma proposta de restabelecimento do diálogo com o consulado em novos patamares – eis os principais resultados da assembléia extraordinária do Comites – ‘Comitato degli Italiani all’Estero’ para os Estados do Paraná e Santa Catarina, realizada na manhã deste sábado. O encontro foi o primeiro desde a convocação do dia 10 de agosto, suspensa depois que o cônsul geral Raffaele Festa impôs condições à sua participação.

Logo na abertura da reunião, realizada nas dependências da Sociedade Giuseppe Garibaldi, o presidente Walter Antônio Petruzziello comunicou a renúncia do conselheiro Carlo Endrigo Peron, que desempenhava a função de secretário da entidade para, na sequência dos debates, anunciar a sua própria renúncia da função de presidente, alegando motivações de ordem pessoal e familiar. Por unanimidade, o conselho elegeu o advogado Luis Molossi em substituição a Petruzziello, e nomeou o conselheiro e também advogado Elton Diego Stolf para a função de secretário.

O cônsul Festa foi representado por Maria Salamandra, vice-cônsul, que fez um breve relato das atividades consulares dos últimos anos. Segundo ela, a unidade de Curitiba está em segundo lugar dentre os sete consulados que operam no Brasil, e em quinto na América do Sul, na questão de produtividade. Salamandra ouviu dos conselheiros reclamações e sugestões, principalmente no tocante ao andamento da “fila da cidadania” e ao serviço de recepção do consulado. Ela proibiu, entretanto, qualquer gravação (foto, áudio e vídeo) de sua presença na assembléia do Comites, mesmo sob a argumentação de que seu direito de imagem se subordina ao dever de publicidade de atos e ações de pessoas investidas de poder público e no exercício de suas funções.

A assembléia, em ambiente às vezes tenso, debateu alguns casos, como aspectos relacionados ao decreto do cônsul Raffaele Festa, que cassou a cidadania italiana ‘iure sanguinis’ a seis integrantes da família Scavazza, sobre cuja ascendência italiana e documentos que a comprovam – dizem os advogados Stolf e Petruzziello – não pairam dúvidas. Compareceram, além de Petruzziello, Molossi e Stolf, os conselheiros Cida Borghetti, Neide De Pellegrin, Gianluca Cantoni, João Andreata de Souza e Roberto Carlos Castagnaro.

Por delegação da assembléia, um pedido de audiência com o Cônsul Geral foi feito pelo novo presidente, Luis Molossi, através de Maria Salamandra. Acompanhado por alguns conselheiros, ele procurará estabelecer as bases para um novo tempo de relacionamento entre a entidade e a autoridade consular, considerando também os aspectos que envolvem a censura imposta à imprensa. O encaminhamento de um documento proposto pelo conselheiro Stolf às autoridades italianas com a assinatura de todos os conselheiros aguardará o resultado dessa audiência. Enquanto isso, no site “change.org” corre um abaixo assinado solicitando a substituição do cônsul Raffaele Festa.

 

A renúncia de Carlo Endrigo Peron tinha sido anunciada por ele próprio aos demais conselheiros na noite de ontem, através de uma extensa carta em que o ex-secretário do Comites PR/SC explica as razões de sua decisão. Algumas delas fecham com o desaponto também anunciado por Petruzziello no curso da assembléia, relacionadas com a dificuldade de dialogar com a autoridade consular da circunscrição.

Nas últimas semanas – escreveu o ex-secretário – , contra as atitudes censórias do atual Cônsul, iniciou-se um movimento de renúncia coletiva dos conselheiros. Falava-se também em legítimo protesto contra certas práticas no trato e administração do serviço consular. Mas o que começou forte visando, inclusive, a salvaguarda da independência da Presidência do nosso Comites, aos poucos foi se acomodando, enfraquecendo (…) Pois eu me mantenho firme ao que foi acordado”.

Em sua carta, que não foi lida na reunião por decisão da mesa, Carlo Endrigo Peron tece uma série de críticas também a seus ex-colegas e faz perguntas que ele mesmo responde. Uma delas outra vez se refere à censura imposta a Insieme e ao próprio Comites: “Ficar Conselheiro para ver Cônsules censurando e boicotando a Imprensa em vez de apoiá-la, estimulá-la e incentivá-la para fazer crescer o debate construtivo e formador da cidadania? Não”. Refere-se também às imposições do Cônsul de Curitiba sobre o próprio Comites: “Ficar Conselheiro para servir de número na ata e continuar submetido à censura consular, um deboche sobre os integrantes de nosso ‘Parlamento’? Não.”, escreve Carlo.

Colaborador da revista Insieme desde o seu nascimento, o advogado Carlo Endrigo Peron historiou um pouco sua participação nas atividades na área da italianidade e disse: “Trago comigo não só os votos dos que me elegeram. Trago uma vida dedicada à cultura, à preservação da história e da memória dos que com muito orgulho e alegria declaram-se Italianos fora da Itália”, mas que , depois de algum tempo integrando o colegiado, “o fato é que não vejo o Comites com os mesmos olhos que vi ao tomar posse como Conselheiro”.

E pediu sua renúncia, dizendo-se “aliviado em poder renunciar”, pois “não consigo mais continuar a fazer parte deste universo”. “Aos que ficam desejo sorte, discernimento e força para que consigam alterar este quadro caótico em que nos encontramos. Fica também a amizade com os que tive contato enquanto Conselheiro. Nestes termos, e com esta carta que peço tenha o efeito imediato e definitivo, renuncio oficialmente ao cargo de Conselheiro do Comites PR/SC”, finalizou o ex-secretário no documento que encaminhou a Petruzziello e aos demais conselheiros, com cópia para o Consulado Geral da Itália em Curitiba.